A “Villa Maria Cecília”, nas proximidades do Riacho Amarelo, no Município de Esperança, tem sido apontada como um dos primeiros lugares em que os judeus sefarditas se refugiaram no interior do Estado da Paraíba. Pesquisas históricas identificam ramificações judias em nossa cidade, a exemplo de André Rodrigues (1852/1939), um Judeu natural de Setúbal, cidade da região metropolitana de Lisboa, que construiu aquele casarão.
Esses
“Cristão Novo” costumavam praticar a sua religião de maneira velada, para
fugirem da inquisição. Símbolos eram registrados no casario, esculpidas ou
pintadas na zona rural; o repúdio à carne suína e ao sangue dos animais
abatidos, são citados como tradições hebraicas.
Na
verdade, herdamos não só as restrições alimentares, como também o cuidado com
os mortos e o zelo pela purificação. Mortalhas simples, sem caixão, derramar às
águas dos potes e cobrir os espelhos das casas dos falecidos, dizem respeito ao
ato de purificação aqueles povos.
O
desvirar dos sapatos e fechar as tesouras, assim como acender velas aos sábados
nos oratórios e orar na lua nova muito se assemelham à cultura preservada pelos
descendentes judeus no Nordeste colonial.
Com
o passar do tempo e a assimilação ao catolicismo, muitas dessas marcas se
enraizaram às nossas tradições, numa espécie de sincretismo religioso ao ponto
de nossos avós desconhecerem a sua origem.
Rau
Ferreira
Referências:
-
ARAÚJO, F. Sadoc (de). Ceará: Homens e livros - Estudos críticos de
bibliografia. Gráfica Editorial Cearense: 1981.
-
FILGUEIRAS, Marcos Antonio. Os judeus foram nossos avós. Coleção
Mossoroense, Série C. Mossoró: 2011.
-
SALES, José Borges. Alagôa-Nova – Notícias para a sua história.
Fortaleza Gráfica e Editora: 1990.
-
SALES, José Borges. Notícias sobre a trajetória de cearenses na Paraíba e
paraibanos no Ceará. Expressão Gráfica e Editora: 2005.
-
SILVA, Doralice Amâncio (da). Eufrásio(s) de Arruda Câmara: um estudo de
caso das relações de poder das elites locais da Parahyba (1850 – 1923).
Campina Grande: 2017.

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