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Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”.

Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei.



O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro:

“Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via sacra ou compunha visões do calvário e/ou ressureição de Cristo, que faziam lembrar os mestres da renascença italiana”.

O poeta Pedro Dias do Nascimento, revisitando suas memórias, disse que:

Chico Pintor, era um baixinho de excelente qualidade em pintura e que também era um baita de um Artesão, como mostra alguns dos seus trabalhos”.

 

A esperancense Maria Violeta, em artigo para o jornal “O Norte”, lembra que de fato ele era uma “pessoa de estatura pequena, roupa suja de tina [...] que pintava coisas maravilhosas”.

Um exemplar de seu trabalho podia ser visto na “Lapinha” de dona Inacinha Celestino, que permaneceu exposta em sua residência por mais de 70 anos. Era a cortina de fundo, onde se destacavam dois anjos segurando a mensagem evocativa: “Gloria in Excelsio Deo”, sendo esta uma representação da cidade de Jerusalém, com suas casas e seu arboredo.

Além de grande artista, era também filósofo. Conforme Assis Diniz nos reporta, em seu jornal “Esperança 60 Anos”. Segundo o jornalista, Chico “pertencia à família dos Bronzeados, de Remígio”. Ele também conta que, certa feita, ao ouvir impropérios de sua esposa, calmamente respondeu: “Eu devia ter nascido Sócrates e a minha mulher Xântipe”.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- CÂNDIDO, Gemy. Riachão de Banabuié. Org. Mary Ellen C. da M. Cândido. Ed. Martinho Sampaio. João Pessoa/PB: 2024.

- ESPERANÇA, Livro do Município (de). Projeto Gincana Cultural/83 – “Descubra a Paraíba” – Coleção Livros dos Municípios 006/171. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.

- ESPERANÇA, Revista 60 Anos (de). Edição de 1º de dezembro, Editor Assis Diniz, G.G.S. Gráfica. João Pessoa/PB: 1985.

- O NORTE, Jornal. Edição de sábado, 24 de novembro. João Pessoa/PB: 1990.

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