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Mostrando postagens de novembro, 2024

Velhas tradições: banho de açude

  Thomas Bruno publicou n’A União no último dia 19 de maio do andante um conto sobre o mito da cobra-preta muito conhecido na Parahyba. Quem nos dá conta é Câmara Cascudo. Segundo a lenda, a cobra procura as mães que estão a amamentar. Coloca a ponta da causa na boca da criança para acalentá-la enquanto suga o leite materno. Assim como outras, que eram narradas por nossas mães, sobre "o homem do saco", sobre o "papa-figo"... todas eram para nos advertir dos perigos do mundo e, de certa forma, nos manter nas "barras da saia" delas. Isso nos era contado, antigamente, para entre outras coisas, se evitar banho de açude. Fico a imaginar qual a relação do conto com as profundezas dos mananciais... Imagine só como eram as proibições naquele tempo, elas se davam por estórias! O garoto quer conhecer a vida lá fora e nessa ânsia vai "testando" as suas forças. Nisso consiste a necessidade humana de desbravar novos horizontes. Nisso está o desejo de qu...

Gemy, o poeta

  O mundo literário e a intelectualidade conhecem Gemy Cândido: crítico literário, sociólogo e filósofo, expoente da “Geração ‘59”, autor de vários livros, dentre eles, Riachão de Banabuyé (2024), História Crítica da Literatura Paraibana (1983), Fortuna Crítica de Augusto dos Anjos (1981). Poucos sabem, que o brilhante jornalista também era poeta inspirado, desde os tempos d’O Telestar, folhetim da padroeira de sua terra natal (Esperança), onde publicou nos anos 60 do Século passado alguns de seus versos, que quero aqui reproduzir: “À Pedro Santos, Marcos dos Anjos e Políbio Alves, poetas maiores da nova geração paraibana. Á Chico Souto, a quem devo a liberdade de dimensão. Poema N. 1 O homem        O sol               A terra                    O abismo Para que tantos corpos apodr...

O antigo altar-mor da Igreja Matriz

  A capela de Banabuyé era “ a melhor da freguesia ” (Notas: Irineo Joffily), considerada “ um moderno e vasto templo ” (A Parahyba, 1909), uma “ bem construída igreja de N. S. do Bom Conselho ” (Diccionario: Coriolano de Medeiros). O Monsenhor João Honório, quando administrou a paróquia (1937-1951), alterou a fachada do templo. Foram retiradas as antigas torres, permanecendo apenas a central, com uma altura aproximada de 14 metros. Na parte interna, foram feitos “ consertos no forro de toda a nave e corredores, limpeza e pintura geral e nova instalação elétrica ” (Livro Tombo I: 03/02/40). O novo formato, como o conhecemos até hoje, o qual abandonou a estética antiga, de uma simples capela, para uma imponente catedral foi inaugurado em 14 de abril de 1940. O Dr. João Batista Bastos, em seu blog “Revivendo Esperança”, nos informa que em “ meados dos anos 60, houve a reforma do Altar principal, talvez para acompanhar as regras da nova liturgia imposta pelo Vaticano II. O Alt...

O Quebra-quilos passou por aqui

  Fagundes-PB (Wikipédia) Matéria obrigatória no estudo acerca dos movimentos e revoltas, o quebra-quilos ainda esconde muitas nuances. O sistema métrico francês – adotado pelo Brasil em 1862 – há dois anos entrara em vigor, obrigando por decreto imperial às novas medidas lineares. No entanto, o povo continuava com o tradicional modelo de pesos e medidas: palmos, braças, polegadas, vara, cuia e arrobas. Some-se a isto o suposto fato de se aumentar o imposto do chão cobrado nas feiras. Houve uma insatisfação popular generalizada. A sedição que teve origem na povoação de Fagundes e alastrou-se por outras vilas sendo necessária a intervenção governamental para a sua erradicação. Grupos de cem a duzentos homens, cujo “cabeça” se desconhecia. Camponeses rústicos, armados de clavinote, foice e facão. Fala-se de ataques em Campina Grande, Esperança , Ingá, Cabaceiras, Pilar, Areia, Alagoa Nova, Bananeiras e Guarabira. Em algumas dessas localidades os revoltosos soltaram presos, quei...