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Mostrando postagens de setembro, 2024

Silvino, o Rilke da Parahyba

  Do “Vigia da tarde”, uma espécie de crônica do jornal literário, extraímos das memórias de Ascendino um trecho d’uma conversa com Alcides no qual se mencionou o poeta Silvino Olavo: “* Mais tarde, no Ginástico Almoço com Alcides Carneiro. Pela primeira vez, lhe ouço confidências bem menos políticas que familiares. Seu belo espírito, acima das contrariedades pessoais, retoma depressa o equilíbrio intelectual, lembrando Chesterton nas aparições imaginárias. Falamos de Silvino Olavo, o poeta louco da Paraíba, claro e sensível como Rilke ante o dilúvio solar, queimando tudo. Pouco antes, caminhando pela Graça Aranha, o Odylo Costa, filho, passa por mim e finge que não me vê. Foi como se passasse ao fogo meu coração e meus rins, ele que lê os salmos, um gênero poético às vezes impiedoso. Retempero-me no pensamento de que tenho um nome íntimo com o qual estou a habituar-me ”. Ascendino Leite (1915/2010) foi jornalista e redator de assuntos parlamentares. Fundou a Associação P...

O ensino produz a guerra? (por Epaminondas Câmara)

  Por Epaminondas Câmara   O confrade do Instituto Histórico de Campina Grande – Jonatas Rodrigues – expert em ferrovias, que além de memorialista é blogueiro, enviou-me a cópia de um texto do esperancense Epaminondas Câmara, publicado no jornal “O Rebate”, edição de 03 de outubro de 1930. Por sua importância histórica, e considerando se tratar de um autor genuinamente nosso, decidi reproduzir o artigo no qual se discute a laicidade do Estado e o ensino religioso. Vamos ao texto: “A Liga Paraibana Pró-Estado Leigo, dizendo-se fundada pelos elementos representativos de todas as classes sociais, dirigiu um memorial à comissão elaboradora do anteprojeto constitucional, no qual expressa o seu ponto de vista acerca dos princípios que devem nortear a futura Carta Magna. É de lamentar que a Liga, num documento oficial, pretenda falar em nome de todas as classes sociais da Paraíba, quando todos sabemos que ela não possui em seu seio representantes autênticos. Quando muito, ...

Esperança em 1892: Representação

  Com o título “Esperança em...” já publicamos alguns aspectos deste Município seguindo uma linha do tempo; em cada uma dessas postagens mostramos o desenvolvimento econômico e social da cidade. Trazemos agora, através de uma “representação”, um vislumbre da antiga “Boa Esperança”, como era chamada em seus primórdios, dirigida ao Presidente da Província da Parahyba. O texto em si tem grande importância para a nossa história, pois nos mostra a dependência da vila em relação à Alagoa Nova, fatos estes que, anos mais tarde, impulsionariam a nossa emancipação política. Este documento foi extraído do livro “Riachão de Banabuié”, do poeta, escritor e crítico literário Gemy Cândido, recém lançado na Fundação Casa de José Américo de Almeida – FCJA, na capital paraibana: “ A povoação da Boa Esperança criada há mais de vinte anos pela concorrência e estabelecimento de pequenos criadores, agricultores e comerciantes, tem ido sempre em aumento para pela uberdade do solo e vantagens do ...

A Crônica da Visita da pessoa que se fez passar por Noêmia Rodrigues

  Por Martinho Júnior   Em Esperança, o tempo parecia correr de um jeito diferente. As histórias dos moradores se entrelaçavam com as ruas de paralelepípedos, e a memória de cada casa guardava segredos e afetos que o vento soprava por entre as janelas. Foi numa manhã abafada, por volta de dez e meia, que a porta de casa foi batida. Eu, ainda adolescente, atendi sem pensar muito, imaginando ser algum conhecido que, sem cerimônia, vinha prosear. Uma mulher estava à porta. Seu olhar era direto, como se quisesse me convencer de que pertencia àquele lugar. Perguntou por meu pai, Martinho Soares, como se fosse de casa. “Ele está lá dentro”, respondi, já abrindo espaço para ela passar. Eu a conduzi à sala, esperando o calor de um abraço e sorrisos largos quando ela se identificou como Noêmia Rodrigues. Noêmia Rodrigues. Esse nome sempre foi mencionado em nossa casa como alguém que, embora distante, fazia parte da nossa história, uma memória viva na mente de meu pai. Ela era fi...