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Jacinto Barbosa, por Hilton Gouvêa (1ª Parte)

 


Grande na Altura e nas ideias Jornalísticas 

O jornalista Jacinto Barbosa morreu em João Pessoa, a 17 de março de 2009, aos 52 anos. A causa da morte foi “insuficiência hepática, provocada por pancreatite aguda”, segundo consta no atestado de óbito emitido pelo Corpo Clínico do Hospital da Unimed, em João Pessoa. Nasceu em esperança, no centro do Brejo Paraibano, a 158,5 Km da Capital, em 06 de maio de 1956. Era casado com a também jornalista Clélia Toscano, com quem teve uma filha, Ana Carolina. Seus pais eram os agricultores Manoel Nicolau e Maria Ana do Carmo Barbosa.

Foi secretário de Comunicação e Turismo de Esperança, além de editor da revista A Semana e do site, o Virgulino.com, do qual era proprietário. Passou 10 anos na TV Tambaú e cinco anos como chefe de redação de A União. Também atuou na Secretaria de Comunicação Social do Estado – Secom. Costumava dizer que por onde passava só semeava amizade e sempre manteve irrepreensível sua ficha funcional-profissional. Era dedicado em tudo o que fazia. Iniciou no Diário da Borborema, em Campina Grande, onde concluiu o curso de jornalismo, na Universidade Regional do Nordeste (atual UEPB).

Amigos de redação o consideravam “um profissional sensato, de gênio controlado, que mesmo se esforçando, não conseguia maltratar ninguém ou fazer cara feia”. Em circunstância nenhuma perdia a paciência. Certa vez o jornalista Abmael Morais (in memorian), chamou-o de “duas caras.” Em resposta, ele parodiou o almirante inglês Nelson, na sua estratégica réplica a Vilaneuve, chefe da esquadra francesa de Napoleão, derrotada em Trafalgar: “Se eu tivesse duas caras usava a melhor, em vez dessa que estou mostrando agora”.

Foi uma resposta hilária, histórica, inteligente e filosófica. A redação explodiu em gargalhadas. Durante uma blitz da PM em 1983, no cetro de João Pessoa, o tenente que comandava a operação apreendeu a moto de um trabalhador, que estava com a placa atrasada. Com seu jeito manso, Jacinto, que como repórter cobria a fiscalização, pediu ao militar para dispensar o rapaz, e alegou que a moto era essencial na vida do operário.

O tenente bateu o pé, disse que não. Jacinto telefonou para o Coronel Marcílio Pio Chaves, na época comandante da Companhia de Trânsito da Polícia Militar – CPTRAN – que autorizou a liberação da moto, provisoriamente. O tenente mordeu a língua mas cumpriu a ordem superior. “Um homem daquele jeito não merecia que sua moto fosse apreendida, principalmente no caminho para o trabalho”, comentou.

 

Hilton Gouvêa

hiltongouvearaujo@gmail.com

 

Sobre o autor, Hilton Gouvêa

O jornalista Hilton Gouvêa de Araújo começou a atuar na imprensa em 1974, nas páginas do extinto Jornal O NORTE, quando tratou da descoberta de um cangaceiro de Antônio Silvino, à época residente na Ilha do Bispo, ganhando notoriedade com a publicação da matéria sobre a tragédia da Lagoa, quando um navio do Exército afundou e matou várias pessoas em 24 de agosto de 1975.

Natural de João Pessoa (PB), é autor do livro “Histórias Fantásticas da Paraíba: Reportagens”, publicado pela Editora Patmos em 2015, que reuniu em seu processo de produção 700 reportagens, das quais em um segundo filtro, foram selecionadas 80 para compor aquela obra. A escolha ficou a cargo de notáveis do jornalismo paraibano, a exemplo de Gonzaga Rodrigues, Martinho Moreira Franco, Agnaldo almeida e Carlos Roberto de Oliveira.

Repórter investigativo, Hilton organizou o livro em cinco capítulos: Paraíba – A história que nao se contou; Segredos do mar da Paraíba; Coragem e ousadia dos pioneiros, Talentos que o tempo não esquece e Lendas e histórias da nossa gente.

 

Rau Ferreira

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