Reproduzo
a seguir o texto de Miguel Germano da C. Maria publicado n’O Norte, edição de
24 de setembro de 1913, de importante cunho histórico:
“ESPERANÇA
Este povoado, antigo Banabuié, tão
belo pelo seu nome que obteve em crisma quanto agradável simpático por sua
superfície e ponto comercial, reclama dos Poderes Públicos atenção e auxílio,
por que então, representará um dia estrela luminante na chapa de nossa
Borborema. Situada na ilharga dos nossos Brejos, ela, goza de dois privilégio:
tão agrícola quanto pecuarista, circulada de Poços naturais embora obstruídos,
mas fazem gerar a ideia em nosso espírito daquela estrela, acrescentando ainda,
ser um bom receptáculo do comércio sertanejo.
O povo ali, vive alegre e como
satisfeito por que o lugarzinho pelas belezas naturais de que é dotado lhe
inspira prosperidade em futuro. O bilhete político que obtiveram na última
loteria social do Estado com a residência do Prefeito e sua distinta e
competente individualidade para o cargo, foi mais um incentivo para realidade
de suas lisonjeiras aspirações!
Ao receberem a ilustre e competente
Turma de Engenheiros em explorações Federais, já se consideram felizes por
verem um começo para a realidade do sonho contínuo de sua imaginação.
Funcionam ali duas aulas públicas
do ensino primário de custeio municipal, e instalado como autoridade preposta
do ensino no Termo pelo simpático e respeitável Prefeito o cidadão Theotonio
Tertuliano da Costa, para visita-las mesmo no caráter particular; assim o
fazendo fiquei admiradíssimo do número das matrículas em cada uma d’elas.
À do dexo masculino, da qual é
Professor um moço, com quanto leigo, mas ativo, carinhoso e assíduo,
verificam-se cento e sete alunos (107) matriculados, dos quais frequentam quase
sempre, oitenta!
Destes, alguns se distinguem em adiantamento,
como sejam: Severino Rodrigues de Araújo, Severino Diniz, Severino Passos e
Silva, Estanislau de Almeida, Sandoval Santiago e Lauro Santiago.
À do sexo feminino da qual a
Professora também não é Normalista, mas possuidora de iguais requisitos e mais
anos de prática, verificam-se matriculadas oitenta alunas (80) entre as quais
se distinguem em aproveitamento: Sebastiana Etelvina da Cunha, Rita Maria de
Lacerda, Ana Maria de Jesus, Elyra Bezerra Cavalcante, Enedina Jesuína de Lima e
Sebastiana Maria dos Santos.
Encerradas estas linhas, faço votos
ao altíssimo para que a Esperança prospere como deseja e saibam os seus
moradores agradecer com os seus serviços ao Governo que tantos favores lhe
envia.
Miguel Germano da C. Maria”.
Esperança
à época era distrito de Alagoa Nova, a quem pertenceu até a sua emancipação,
ocorrida em 1º de dezembro de 1925. Apesar deste povoado ser dependente em tudo
de seu município, destacava-se o seu comércio e posição agrícola, contando com
um posto fiscal de arrecadação.
O
cidadão Theotônio Tertuliano da Costa exercia a gestão municipal de Alagoa Nova
que se tornou vice-prefeito de Manoel Rodrigues de Oliveira da independência
municipal (1925), tendo sido reconduzido à prefeitura no exercício de
1929/1932.
Observa-se,
ainda, o destacado aluno Severino Irineu Diniz (1903/1986), da família “Cambeba”,
que se tornou rábula advogado em nossa cidade por muitos anos, realizando os
primeiros júris deste termo judiciário.
Rau Ferreira
Referências:
-
60 ANOS, Revista Esperança. Editor Assis Diniz. Esperança/PB: 1985.
-
A UNIÃO, Jornal. Edição de 02 de dezembro. João Pessoa/PB: 1927.
-
O NORTE, Jornal. Edição de 24 de setembro. Parahyba do Norte: 1913.
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