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Silvino: Editor-chefe d'O Jornal (PB)


“O Jornal” era um noticiário que circulava em João Pessoa (PB) nos anos 20, de propriedade de Horácio Rabello e dirigido por José Gaudêncio; tendo como redator-chefe o poeta SILVINO OLAVO, o qual inclusive trouxe para a sua oficina o confrade Perillo de Oliveira, formando ainda o seu corpo de escritores com figuras da intelectualidade paraibana como Eudes Barros, Orris Fernandes Barbosa e Ayres Alves.
Em matéria de 17 de janeiro de 1926, publicava A União a nova fase deste noticiário, que seria inaugurada em fevereiro daquele ano “de modo a satisfazer os interesses do público”.
Na época, o folhetim havia adquirido um novo prelo, do tipo “Marinoni”, com dupla expulsão automática. A aquisição desta máquina assegurava “em condições eficientes, uma vultosa e fácil tiragem”. E conclui a matéria: “Reina uma simpática expectativa em torno da nova fase deste órgão da nossa imprensa, que circulará dentro em breve, sob a direção política e intelectual dos drs. José Gaudêncio e Silvino Olavo” (Grifei).
Ressurgia novamente na imprensa em abril de 1926, com nova dinâmica e “um aspecto material sugestivo e moderno, trazendo variado serviço e reportagem e excelente disposição de suas seções”.
O texto a seguir, publicado n’A União, apresenta-se como editorial, cuja responsabilidade seria da chefia de redação, na pessoa do Dr. Silvino Olavo:
“Nele não conservaremos a inspiração de sua origem, nem guardaremos continuidade histórica, nem ainda observaremos os seus antigos pontos de referência, divisas e programas, para adotarmos uma orientação toda peculiar ao nosso modo de entender e dirigir.
Essa atitude não envolve de modo algum qualquer condenação ou censura ao seu passado, nem tão pouco o intuito de o desajustar, apenas outros deveres e outros impulsos nos determinam nessa outra trajetória.
....................................................................................................................................
Disposto a proclamar com discrição e sinceridade os governos que se dedicam honrosamente ao seu mandato; que não aceitam os cargos, com vaidosa graduação, mirando apenas as honrarias, deslumbrados nos ouropéis do poder, sendo indiferentes e insensíveis às necessidades dos seus governos.
Temeremos sempre precipitar julgamentos mal seguros e informações de curso suspeito, divulgando acontecimentos sem o devido exame.
Recriminaremos sempre a nevrose e a obsessão de se ver nos governos essa entidade protéica do inimigo de povo; como não aplaudiremos qualquer desprezo e escarneio aos direitos deste.
Quanto ao mais, o nosso jornal deve preencher a missão de imprensa proveitosa, de modo a merecer o apreço, a confiança, e o acolhimento da sociedade, pelo senso e pelo brio com que agimos.
A nossa maior recompensa será o apoio dos nossos conterrâneos”.

“O Jornal” gozava de franca circulação no recite, destacando-se, igualmente, entre os seus escritores, a exemplo de Solon de Albuquerque, autor de “Mimas”, cujo livro foi comentado por Eudes Barros, com palavras de afeto de Silvino e Perillo.
Na época José Gaudêncio era político de grande estima, enquanto Olavo ocupava a 1ª Promotoria de Justiça da Capital; ambos viajavam à Capital pernambucana, não apenas divulgando o periódico, mas fazendo visita cortês aos coirmãos jornalistas.

Rau Ferreira

Referências:
- A UNIÃO, Jornal. Órgão oficial do Governo da Paraíba. Edições de 17/01 e 27/04. Parahyba do Norte: 1926.
- FERREIRA, Rau. Silvino Olavo. Esperança/PB: 2010.
- RUA NOVA, Revista. Ano II, Nº 71. Recife/PE: 1926

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