Pular para o conteúdo principal

Exéquias ilustres


A recém criada Paróquia de Esperança engatinhava os seus primeiros passos, erigida que fora por Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques no dia 08 de maio de 1908. O seu templo era considerado um dos melhores e mais belos da região. Para dirigir-lhes os trabalhos paroquiais havia sido nomeado o Padre Francisco Gonçalves de Almeida, que foi empossado no dia 08 de junho daquele ano pelo Padre Jeronymo César, vigário de Alagoa Nova auxiliado por Ignácio Ibiapina Sobral – O Padre Ibiapina.
O Padre Almeida era natural de Alagoa Nova/PB, nascido no ano de 1871, filho de Delfino Gonçalves de Almeida e Adelaide Irinéia de Vasconcelos Monteiro, tendo sido ordenado presbítero em 14 de novembro de 1897.
Assim que chegou à freguesia de Esperança, alugou uma casa que lhe servia de residência onde também abrigara seu pai, o Capitão Delfino que padecia de uma moléstia agravada pelos seus 82 anos de idade.
O seu genitor convalesceu durante 27 dias em Esperança. Durante este período, deixou registrado em testamento a sua última vontade, confessou por três vezes e recebeu a Santa Eucaristia, assistindo ainda 24 missas “com admirável respeito e veneração”.
O vigário seu filho, administrou-lhe o sacramento da Santa Unção e deu-lhe a Benção Apostólica nos últimos momentos de sua vida, recebendo do enfermo “a última benção de pai exemplar e recolhendo-lhe o último suspiro” no dia 29 de julho de 1909.
Delfino Gonçalves de Almeida foi sepultado numa cova em Alagoa Nova a seu pedido, “onde também se acham sepultados todos de sua família”.
Padre Almeida permaneceu na paróquia até julho de 1912, tendo contribuído com o seu trabalho para o fortalecimento da fé católica em Esperança.

Rau Ferreira

Fonte:
- CENTENÁRIO, Revista. Ed. Jacinto Barbosa: Esperança, 30 de maio de 2008;
- ESPERANÇA 82 ANOS, Revista. Ed. Jacinto Barbosa: Esperança/PB: 2007.
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.
- ESPERANÇA, Livro Tombo de Óbitos da Paróquia de. Delfino: Registro n° 21 do ano de 1909. Esperança/PB: 1909.

- SEVERIANO, Francisco, A diocese da Parahyba. Typ. da "Imprensa". Parahyba do Norte: 1906.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Expedição holandesa na Lagoa de Pedra

Livro de Herckmans : Wikipédia A Capitania da Paraíba apresentou forte resistência até ser conquistada pelos holandeses (1634-1654). Foram duas tentativas frustradas até alcançar o êxito. A Companhia das Índias Ocidentais havia se interessado pelo açúcar que aqui se produzia em abundância. A invasão neerlandesa garantia assim a exploração deste produto muito apreciado na Europa. Apesar de ocupar o território por vinte anos, os holandeses não deixaram marcar deléveis. Não houve influência cultural e as crenças calvinistas foram substituídas pelo catolicismo após a retirada dos batavos. Juliana Cavalcanti – em artigo de jornal – escreve que “ Um dos poucos traços da cultura holandesa no Nordeste lembrado pelos historiadores é o pão brote, cujo nome é derivado de “brute”, que era o pão holandês. E o termo “brote” foi incorporado ao vocabulário nordestino ” (A União: 18/12/2022). Porém, o que nos chama a atenção foi uma exploração (ou entrada) pelo interior da Parahyba, organizada por ...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Zé-Poema

  No último sábado, por volta das 20 horas, folheando um dos livros de José Bezerra Cavalcante (Baú de Lavras: 2009) me veio a inspiração para compor um poema. É simplório como a maioria dos que escrevo, porém cheio de emoção. O sentimento aflora nos meus versos. Peguei a caneta e me pus a compor. De início, seria uma homenagem àquele autor; mas no meio do caminho, foram três os homenageados: Padre Zé Coutinho, o escritor José Bezerra (Geração ’59) e José Américo (Sem me rir, sem chorar). E outros Zés que são uma raridade. Eis o poema que produzi naquela noite. Zé-Poema Há Zé pra todo lado (dizer me convém) Zé de cima, Zé de baixo, Zé do Prado...   Zé de Tica, Zé de Lica Zé de Licinho! Zé, de Pedro e Rita, Zé Coitinho!   Esse foi grande padre Falava mansinho: Uma esmola, esmola Para os meus filhinhos!   Bezerra foi outro Zé Poeta também; Como todo Zé Um entre cem.   Zé da velha geração Dos poetas de 59’ Esse “Z...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Hino da padroeira de Esperança.

O Padre José da Silva Coutinho (Padre Zé) destacou-se como sendo o “ Pai da pobreza ”, em razão de suas obras sociais desenvolvidas na capital paraibana. Mas além de manter o Instituto São José também compunha e cantava. Aprendeu ainda jovem a tocar piano, flauta e violino, e fundou a Orquestra “Regina Pacis”, da qual era regente. Entre as suas diversas composições encontramos o “ Novenário de Nossa Senhora do Carmo ” e o “ Hino de Nossa Senhora do Bom Conselho ”, padroeira de Esperança, cuja letra reproduzimos a seguir. Rau Ferreira HINO DE NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO (Padroeira de Esperança) VIRGEM MÃE DOS CARMELITAS, ESCUTAI DA TERRA O BRADO, DESCEI DE DEUS O PERDÃO, QUE EXTINGUA A DOR DO PECADO. DE ESPERANÇA OS OLHOS TERNOS, FITANDO O CÉU CÔR DE ANIL, PEDEM VIDA, PEDEM GLÓRIA, PARA AS GLÓRIAS DO BRASIL! FLOR DA CANDURA, MÃE DE JESUS, TRAZEI-NOS VIDA, TRAZEI-NOS LUZ; SOIS MÃE BENDITA, DESTE TORRÃO; LUZ DE ESPERANÇA, TERNI CLARÃO. MÃE DO CARMO E BOM CONSELHO, GLÓRIA DA TERRA E DOS...