Pular para o conteúdo principal

SOL: Em Mulungú


SILVINOOLAVO:
NA PONTE DE MULUMGÚ
Silvino Olavo na inauguração da ponte em Mulungú
(Fonte: Maurício: 1992, p. 123)


A
 pontede Mulungú-PB, construída sobre o Rio Mamanguape, na passagem do Riacho do Mrcego, por iniciativa do governador João Pessoa Cavalcante, como parte do seu projeto rodoviário, que incluia as pontes de Batalhão e Gurinhem, tinha por objetivo completar a comunicação arterial da capital paraibanaao interior
O ato inaugural solene teve início às nove horas do dia 09 de fevereiro de 1930, com a presença do chefe do executivo estadual e auxiliares imediatos, dentre eles o poeta esperancense Silvino Olavo da Costa, que à época exercia o cargo de Chefe de Gabinete.
Uma salva de foguetes anunciou achegada do governador. A benção foi dada pelo padre Raphael de Barros, vigário da freguesia. Após, o carro oficial rompeu a fita vermelha inaugurando assim aponte e abrindo o tráfego ao público.
A ponte de Mulungú foi construída em concreto armado, com uma extensão de 60 metros de comprimento emtrês vãos, tendo o central 27 metros. A construção coube a firma RaffaeleAbenante & Cia, que se fez representar nas pessoas dos sócios Luiz Abenante e engenheiro João Gioia.
A propósito desta inauguração, o chefe do executivo recebeu o seguinte telegrama:

“Mulungú, 27 – Assistimos ontem, às 17 horas, a inauguração dos aterros da ponte de Mulungú, no riacho Camarazá. Cumprimento v. exc. por mais estas grandes obras. Estamos neste momento experimentando seu grande efeito em vista da enchente do rio.

Queira v. exc. aceitar nossas sinceras congratulações por mais este grande melhoramento que acaba de nos prestar o seu benemérito governo.

Pedro Filgueiras, Djamla Pessoa, Horácio Montenegro, José Pinto, Severino Ramos, Correia Gayão, Cleodon Costa. Manuel Claudino, Theodorico Pessoa, Fenelon Moura, José Costa, José Martins, Ernesto Araújo, Francisco Souza, Pedro Ferreira, Antônio André, José Beltrão e Antônio Costa” (A União, 28/03/1930).

Da Capital da República (Rio), enviou o Deputado Mindello as felicitações ao Presidente João Pessoa, por ocasião da inauguração da ponte de Mulungú:

“Rio, 13. Felicitações pela inauguração da ponte de Mulungú. Reitero cumprimentos apoteótica recepção. Cordiais saudações. Mindello” (A União, 18/02/1930).

Após o registro fotográfico, foi servido um lunch, seguindo-se as falas do engenheiro João Gioia, deputado estadual Dr. Antônio Guedes e Coronel Alfredo Moura. O governador pronunciou um incisivo discurso, agradecendo as pessoas que se faziam presentes. Em seguida, percorreu o Dr. João Pessoa toda a extensão da ponte, examinando detalhes da construção e, antes de retornar à Capital, o que se deu por volta das dez horas, visitou uma Escola Pública em Mulungú.
No detalhe da foto observamos o governador João Pessoa, o Coronel Elysio Sobreira, o poeta Silvino Olavo, autoridades locais e o público presente.

Rau Ferreira

Referências:

- A UNIÃO, Jornal. Órgão oficial do Estado, Domingo, 09 de fevereiro. Parahyba: 1930.

- A UNIÃO, Jornal. Órgão oficial do Estado, Sexta-feira, 28 de março. Parahyba: 1930.

- A UNIÃO, Jornal. Órgão oficial do Estado, Terça-feira, 11 de fevereiro. Parahyba: 1930.

- A UNIÃO, Jornal. Órgão oficial do Estado, Terça-feira, 18 de fevereiro. Parahyba: 1930.

- JOFFILY, José. Anayde Beiriz: paixão e morte na Revolução de 30. Ed. CBAG Editora: 1980.

- MAURÍCIO, João de Deus. A vida dramática de Silvino Olavo. Unigraf. João Pessoa/PB: 1992.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Banabuyé, Capítulo de Romance (Silvino Olavo)

Dentre os materiais que Carlos Bezerra recebeu do cunhado de Silvino – Waldemar Cavalcante – pouco tempo após a morte do poeta, encontra-se um capítulo do romance “Banabuyé”. A documentação foi doada pelo engenheiro ao Grupo de Estudos e Pesquisas do HISTEBR-GT/PB, capitaneado pelo Prof. Charlinton Machado. Escrito na segunda metade do Século XX no período de reclusão, quando esta padecia de crises esquizofrênicas, “ em pleno contexto do ostracismo vivido por Silvino Olavo da Costa, após o retorno definitivo para cidade de Esperança, interior da Paraíba ”, como bem pontuou a equipe de pesquisadores, no trabalho “Silvino Olavo da Costa: Escritos de Solidão e Silêncio”. Irineu Jóffily – em suas “Notas sobre a Parahyba” (1892) – nos diz que Banabuyé foi sempre o nome deste lugar, e assim deveria ter permanecido, por mais auspicioso que fosse “Esperança”. O romance, de certo, A seguir, a reprodução do mencionado capítulo deste romance: “É este governo do povo, constituído pela habi...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Hino da padroeira de Esperança.

O Padre José da Silva Coutinho (Padre Zé) destacou-se como sendo o “ Pai da pobreza ”, em razão de suas obras sociais desenvolvidas na capital paraibana. Mas além de manter o Instituto São José também compunha e cantava. Aprendeu ainda jovem a tocar piano, flauta e violino, e fundou a Orquestra “Regina Pacis”, da qual era regente. Entre as suas diversas composições encontramos o “ Novenário de Nossa Senhora do Carmo ” e o “ Hino de Nossa Senhora do Bom Conselho ”, padroeira de Esperança, cuja letra reproduzimos a seguir. Rau Ferreira HINO DE NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO (Padroeira de Esperança) VIRGEM MÃE DOS CARMELITAS, ESCUTAI DA TERRA O BRADO, DESCEI DE DEUS O PERDÃO, QUE EXTINGUA A DOR DO PECADO. DE ESPERANÇA OS OLHOS TERNOS, FITANDO O CÉU CÔR DE ANIL, PEDEM VIDA, PEDEM GLÓRIA, PARA AS GLÓRIAS DO BRASIL! FLOR DA CANDURA, MÃE DE JESUS, TRAZEI-NOS VIDA, TRAZEI-NOS LUZ; SOIS MÃE BENDITA, DESTE TORRÃO; LUZ DE ESPERANÇA, TERNI CLARÃO. MÃE DO CARMO E BOM CONSELHO, GLÓRIA DA TERRA E DOS...

História de Massabielle

Capela de Massabiele Massabielle fica a cerca de 12 Km do centro de Esperança, sendo uma das comunidades mais afastadas da nossa zona urbana. Na sua história há duas pessoas de suma importância: José Vieira e Padre Palmeira. José Vieira foi um dos primeiros moradores a residir na localidade e durante muitos anos constituiu a força política da região. Vereador por seis legislaturas (1963, 1968, 1972, 1976, 1982 e 1988) e duas suplências, foi ele quem cedeu um terreno para a construção da Capela de Nossa Senhora de Lourdes. Padre Palmeira dispensa qualquer apresentação. Foi o vigário que administrou por mais tempo a nossa paróquia (1951-1980), sendo responsável pela construção de escolas, capelas, conclusão dos trabalhos do Ginásio Diocesano e fundação da Maternidade, além de diversas obras sociais. Conta a tradição que Monsenhor Palmeira celebrou uma missa campal no Sítio Benefício, com a colaboração de seu Zé Vieira, que era Irmão do Santíssimo. O encontro religioso reuniu muitas...