Pular para o conteúdo principal

Homenagem à Nené Barbosa

Nené Barbosa
Hoje presto homenagem a uma pessoa simples, um agricultor que fez parte da história deste Município: Manuel Barbosa da Silva, conhecido por Nené.
Os mais antigos devem lembrar de seu Nené que era muito requisitado por políticos para falar em seus discursos.
Nené gostava muito de ler versos, e por inspiração também escrevia as suas rimas. Católico fervoroso, tinha muitas amizades em Esperança, a exemplo de Diogo Batista, Didi de Lita, Mané Galego, Everaldo e Pretinho Cavalcante. Cantava na rua, fazia seus poemas e alegrava os corações.
Em contato com os familiares de Zé Miúdo, na pessoa de Júnior, consegui resgatar um de seus trabalhos, escrito por ocasião da última visita de Frei Damião à Esperança:



“Esperança – 17-4-78

Esperancense você desperte
Com alma e vida e coração
Vamos todos reunidos
Até a pé da conversão
Como estava prometido
E mesmo assim foi chegado
O nosso Frei Damião.

Todas as autoridades
Com sua emergência
Prestando grande homenagem
Todas com obediência
Até chegar nosso pastor
Como o rei da ciência.

Frei Damião de Bozano
O primeiro sem segundo
Estando dentro de Esperança
Com seu saber profundo
Só parecia São Pedro
Quando pregava no mundo.

Esperança se achava
Com uma grande alegria
Com uma grande multidão
Na tarde daquele dia
Todos ficaram abismados
Com aquela romaria.

Gente de toda a parte
Até do sul do país
Estavam todos reunidos
Lá na frente da Matriz
Para assistir a missão
Julgando ser mais feliz.

Nosso Monsenhor Palmeira
Junto com seus secretario
Trabalhando dia e noite
Até pé do confessionário
Com sua equipe de padre
E uns dois missionário.

Gente de toda parte
Do brejo até o sertão
Os nossos frades chamando
Até pé da confissão
Para ver si assim tem jeito
O caminho da salvação.

E esta tão grande missão
Para nós foi um espelho
Abalando o povo em massa
Com o som daquele aparelho
Chamando o povo em massa
A Virgem do Bom Conselho.

Assim meus caros amigos
Já fiz minhas saudações
Já não vamos esquecer
As Santas Missões
Que tanto vai abalar
Nossos pobres corações.

17 de abril
Já não se esquecerei
Em que todos esperava
A vinda do nosso frei
Trazendo as santas palavras
De Cristo que é nosso rei.

Aqui vou terminar
Com lágrimas sentimentais
Uma saudade sem fim!
Do meu coração não sai
Aqueles dias felizes
Não esquecerei jamais.

Nené nasceu em 1923 e deixou saudades em 27 de março de 2005.


Rau Ferreira

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…