Pular para o conteúdo principal

Sistema de luz: Curiosidades (parte II)

Dando continuidade ao nosso trabalho sobre a iluminação urbana do Município, acrescentamos os seguintes tópicos:
Na opinião de João de Deus, “o progresso do povoado começou no dia 22 de maio de 1925, com a inauguração do serviço de iluminação urbana” (A Vida Dramática de Silvino Olavo: 1992, p. 24).
A eletrificação de Massabielle, por sua vez, foi uma conquista de Chico Souto, por intermédio do Deputado Plínio Lemos (In Memorian: 1996, p. 32/33).
Jailson de Andrade, no seu escorço biográfico familiar, escreve sobre o apagar das luzes, na época em que a distribuição de energia ainda era particular, da seguinte forma: “As luzes da cidade eram apagadas às onze horas da noite, guardas noturnos faziam a ronda, pondo ordem no vilarejo (...)” (Família Andrade: 2009).
E no livro de Remígio, encontramos o seguinte registro:

No começo de 1938, o chefe político de Esperança, e empresário, Manoel Rodrigues, tendo comprado um novo motor para aquela cidade, transferia o velho, National, inglês de 40 cavalos, a gás de carvão, para lagoa do Remígio, sendo o mesmo, instalado no beco do Jacaré” (Remígio – Brejos e Carrascais: 1992, p. 202).

Importante ressaltar que foi na administração do Prefeito Sebastião Vital Duarte (1940/1942), que se instalou a CODEBRO. Esta empresa ficou responsável pela distribuição de energia e oferecia ações aos usuários, subscritas em 1959, muitas delas adquiridas por esperancenses como Dogival Costa e Arlindo Delgado.
Ainda naquele ano, autorizava o governo “eletrificar, em primeira fase, todas as cidades incluídas no sistema do Brejo: Areia, Alagoa Grande, Alagoa Nova, Esperança, Serraria, Pilões, Guarabira, Pirpirituba, Bananeiras, Solânea e Alagoínha” (Anais da Câmara dos Deputados: 1959, p. 251).
Há informações acerca de uma usina hidroelétrica que funcionava no município de Borborema, com tecnologia inovadora alemã, que fazia parte do consórcio CODEBRO.
O cinema de Titico Celestino funcionava com gerador próprio, um motor de carro adaptado que fornecia energia para a iluminação e o serviço de som.
Em 1961, o governo autorizava a extensão das linhas de transmissão de Esperança, Montadas e Areial, orçada em Cr$ 6.000.000,00 (seis milhões de cruzeiros), através de um crédito especial da SUDENE.
A SAELPA foi fundada em 15/12/1964, a partir da fusão das duas companhias de distribuição de energia da Paraíba: CODEBRO e ELETROCARIRI. Depois da privatização, em 2000, esta empresa passou a se chamar ENERGISA.

Rau Ferreira

Referências:
- ANDRADE, Jailson. Família Andrade: um século de lutas, conquistas e vitórias. 3ª ed. Revista e Ampliada. Esperança/PB: 2009;
- Chico Souto: In Memorian. Governo do Estado da Paraíba. A União. João Pessoa/PB: 1996.
- Coleção das Leis de 1961. Vol. VII. Governo Federal. Departamento de Imprensa Nacional: 1962.
- DEPUTADOS, Anais da Câmara dos. Vol. XI. Imprensa Oficial. Congresso Nacional: 1959.
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.
- MAURÍCIO, João de Deus. A Vida Dramática de Silvino Olavo. Unigraf. João Pessoa/PB: 1992.

- SERAFIM, Péricles Vitório. Remígio: Brejos e carascais. Editora Universitária: 1992.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Sinopses das Sesmarias de Esperança

Sesmarias eram lotes de terras incultos ou devolutos que os reis de Portugal cediam para quem se dispusesse cultivá-las. Cada uma media 3 (três) léguas de comprimento por 1 (uma) de largura, sendo uma légua antiga equivalente a 6,6 Km. Apresentamos uma sinopse das Sesmarias que foram concedidas na região de Esperança, outrora Banabuyé. Anotem para a grafia, a qual pela relevância histórica dos textos foi grafada como de sua época. a)       Sesmaria nº 107 , de 13 de junho de 1713 – Concedida a Mathias (sic) de Araújo Rocha no lugar denominado Lagoa de Pedra, Sertão do Paó, no governo de João da Maia da Gáma; b)         Sesmaria nº 116 , de 3 de agosto de 1714 – Concedida ao Capitão Bento Ferreira Feio, Martin Gomes e José Luiz, nas testadas dos herdeiros de Domingos da Rocha pelo rio Mamanguape; c)       Sesmaria nº 202 , de 28 de julho de 1728 – Concedida ao Coronel Matias Soares Taveira, no sertão do Paó, ...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A Lenda Caricé

Índios Tapuias (fonte: wikipedia.org) E sta lenda éreproduzida pelo Padre Luiz Santiago [1897/1989], que também foi arqueólogo,pesquisador e escritor, além de outras coisas. O religioso ouvira contada pelaescrava forra Gertrudes, na propriedade de Meia-pataca. A comoção popular deu àquele drama o nome de Caricé. A palavra vem dotupi-guarani, formada da junção de Caraiba e Cé . A primeira significando osábio, o santo. A segunda, o canto. O canto do sábio , por aglutinação. Dizem que dentre os moços do serviço de demarcação das Datas de Sesmarias[data provável 1778], havia um que costumava cantar, nas horas de folga, à modade endecha, ao som de um dolente violão, aos pés de uma cacimba pública, umatriste canção, tendo por acompanhantes os pássaros canoros e o murmúrio dosventos. Por quem uma jovem índia se apaixonou. O jovem encantador era conhecido por Morais, filho de João de MoraisValcácer, um dos donatários da região. Ela era da linhagem dos Banaboiés de Esperança, da Tribo Cari...