Pular para o conteúdo principal

Histórias de Ovn's (Parte III)

Por Júlio César (*)

Ufologia: Explosão ou Disco Voador?

Neste caso em particular, eu fui testemunha, não somente eu, mas praticamente todos os moradores da Rua Antenor Navarro e de outros 10 municípios da Paraíba. O horário possivelmente era umas 19h, quando uma vizinha chegou na porta de nossa casa gritando desesperada; “Jesus ta descendo do céu, é o dia do julgamento!”, minha mãe, claro, assustou-se e sem entender nada ficou espantada. De repente, ouvíamos um grita, grita na rua, era um alvoroço de gente correndo e carro buzinando. Até que um colega meu praticamente “emburaca” lá em casa e diz; “vem ver, tem um disco voador gigante passando sobre a cidade!”.
Não deu outra, saímos todos, exceção do meu pai que achava tudo besteira de beata. Mas, ao sair, vi um polvoroso na rua, todos olhavam para o céu. Os idosos, alguns com terço na mão, e jovens apontando a tal visão no céu. O evento deu-se por trás da casa onde eu morava e realmente foi algo entre o maravilhoso e o assustador. E o que testemunhei?
Era uma gigantesca esfera de luz branca e que seqüencialmente parecia sair de sua parte central cores múltiplas. Primeiro vermelho, depois amarelo, verde e azul e por fim um violeta. Este se mantinha ocupando completamente a esfera que ao poucos se apagava deixando apenas uma espécie de fumaça lilás brilhosa. Até ali, tinha sido a coisa mais linda que já tinha visto no céu.  Se aquilo era o inicio do fim do mundo, devo dizer que é um espetáculo de cores vivas e intensas. Vale à pena está próximo para testemunhar.     
Passado o evento, o assunto ganhou a “boca miúda”. Logo chegou a policia e os policiais foram cercados por populares que falavam o que tinham visto. Muita gente estava tensa e todos queriam narrar e descrever o objeto. Lembro-me que chegou depois outro carro de policia e nele acho que tinha chegado o delegado. Todos cercaram o homem que estava tão sem entender o que era, quanto qualquer um dali.
Lembro-me dos bêbados todos parados em frente ao antigo Bar da Fava ainda olhando para o céu, do senhor Luiz Besouro agitado falando com o barbeiro e tudo mais. A polícia passou a circular a rua pedindo para as pessoas entrarem em suas casas.
Anos depois, já residindo em Campina Grande é que soube que o fato teria sido uma explosão de um foguete testado na barreira do inferno em Natal e dependendo do local atmosférico que se encontre a detonação, pode produzir esse tipo de efeito luminoso. Depois descobri que aquele fenômeno foi visto também em Soledade, Pocinhos, Olivedos, Cubati, Areial, Remígio, Lagoa de Roça, Lagoa Seca, Campina Grande (proximidades do bairro das nações) e Esperança.
Hoje em dia, pouca gente lembra-se deste fato, quando estive em Esperança recentemente conversei com moradores da Antenor Navarro sobre isto, ninguém lembrava mais e apenas alguns dizem ter ouvido falar nessa história. Mas, que não passa de história. Quem sabe alguém lendo este texto não consiga se lembrar deste fato e traga a sua versão a toma. O que sei é que até hoje não sei se aquilo que todos testemunharam era uma explosão na atmosfera, ou um óvni. Quem sabe?  


Por Júlio César (*)


(*) Cartunista e pesquisador, atualmente desenvolve um projeto que finalizará em 2014 com a publicação de um livro sobre o futebol paraibano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…