Poema em Claro e Escuro (Silvino Olavo)

By | 5.12.14 Deixe seu comentário
No dia 07 de março de 1926 o poeta esperancense Silvino Olavo da Costa, autêntico representante do simbolismo na Paraíba, publicou uma de suas poesias feitas especialmente para o Jornal “A União”.
Apesar da grande circulação que existia deste periódico em toda a Paraíba, estes versos praticamente permanecem inéditos.
Somente agora, pesquisando a produção jornalistica de Silvino Olavo, é que redescobri esta pérola literária.
Para o deleite de todos os amantes do lúdico, reproduzimos esta bela composição da forma que foi editada à época:

Rau Ferreira

O POEMA EM CLARO E ESCURO
(Original para “A União”)

Não te disseram já que eu era
Aquele moço triste que anda pelas
noites de luz, com os olhos da Quimera,
procurando os teus olhos nas estrelas...

Sei que a varinha mágica da fada,
trançando o fado que me vês cumprindo,
em símbolo de luz deixou gravada
a inicial desse teu nome lindo...

E desde então fiquei andando a esmo
pela vida, perdido dentro dela,
A procura não sei se de mim mesmo,
se de tua alma que sombra estreita.

E, se entre sombra e luz não há nuança,
o nosso amor é um poema em claro-escuro
- tu és a luz daquela estrela mansa
e eu sou a sombra do destino muro...

Meu destino é uma sombra iluminada
Por isso eu bendirei, mesmo na Cruz,
o Senhor dos destinos, minha amada,
que me fez sombra sob a tua luz!

Silvino Olavo

Fonte:
- Jornal “A União”, órgão Oficial do Governo do Estado da Paraíba, suplemento “Arte e Cultura”, edição do dia 07 de março de 1926;






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