Pular para o conteúdo principal

Lagoa de Pedra

O povoado de Lagoa de Pedra, no município de Esperança, tem para nós uma grande importância. Registra-se neste local as primeiras Sesmarias concedidas e que deram início a nossa colonização.
Assim é que, no dia 13 de junho de 1713, no Governo de João da Maia da Gáma, Mateus de Araújo Rocha sediado no lugar denominado de “Lagoa de Pedra, sertão do Paó”, requereu por sesmarias a concessão desta gleba que foi tombada sob nº 107.
Estas terras pertenceram depois ao Cônego José Antunes Brandão, que foi pároco de S. Sebastião de Lagoa de Roça de 1804 à 1954. E em 1909, constituíam a única fazenda de gado da região.
A Escola Pública primária, em Lagoa de Pedra, tinha matriculado no ano de 1942 quarenta e nove alunos.
A comunidade fica a cerca de 5 Km da sede do município e é bastante povoada. Possui energia elétrica e uma vila de casas. A grande característica da localidade são os lajedos de pedra, que formam diversas tanques.
Em 1930 foi foi construído um cruzeiro no alto de um desses lajedos por um proprietário da região conhecido por Pedro Pimenta, em razão de uma graça alcançada.
Também foram encontradas no lugar inscrições rupestres (pintadas) gravadas em um grande paredão de pedra. O painel mede 1,28 x 1,29 cm e é composto de formas esquemáticas de possíveis zoomorfos em tom de vermelho e fica próximo ao tanque de onde foram retirados na década de 90 fósseis de animais pleistocênicos por pesquisadores da UFPB.
Além das belezas naturais este sítio mantém uma vegetação nativa bem preservada.

Rau Ferreira

Referências:
-         MEDEIROS, Coriolando de. Dictionário corográfico do Estado da Paraíba. 2ª Ed. Ministério da Educação e Saúde Pública: Departamento de Imprensa Nacional: 1950, p. 126;
-         FREIRE, José Avelar. Alagoa Grande – Sua história: de 1625 a 2000. Volume I. A União: 2002;
-         A Parahyba. Volume 2. Editora Imprensa Official: 1909, p. 637;
-         CÂMARA, Epaminondas. Os alicerces de Campina Grande: esboço hitórico-social do povoado e da vida, 1697-1864. Edições Caravela: 1999;
-         Revista da Esperança. Ano I, Nº 02. Esperança/PB, Mar/Mai 1997, p. 29/30;

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antiga fábrica de caixões

Houve um tempo que não existiam planos pós-morte e que o povo carente se enterrava com a própria rede. Ser conduzido em um ataúde para a morada eterna era um luxo para poucos. Os falecidos eram velados nas próprias residências de um dia para o outro. Servia-se café na cozinha, enquanto que os homens ficavam na sala contando histórias de “trancoso”. O município passou então a dar o artefato, mas dia sim e dia não tinha uma viúva batendo a porta da prefeitura, foi então que alguém resolveu instalar uma fábrica de caixões na rua Theotônio Tertuliano, por trás da Secretaria de Educação. O caixão fúnebre era construído dessas madeiras de caixa de batata, com alguns caibros para dar sustentação. Forrava-se com um plástico fino, de cor azul para homem ou roxo e rosa para mulheres. Na tampa se colocava um vidro para ver o ente querido. Era pequeno e, a depender do defunto, precisava fazer alguns ajustes. A prefeitura também dava a mortalha, que era um camisão, enquanto que as flores ficaram a …

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…