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Seu Eudes, poema de João da Retreta


- Seu Eudes, a sua vida
já foi bem triste, não foi?
- tanto como o pio triste
Da ave de Poe...

- Mas todo efeito tem causa...
Dizer-me a causa não quer
De sua passada mágua?
- ... uma mulher.

Foi assim... Ela deixou-me
Depois... veja lá, você!
Meus sonhos adoecem todos
De não sei quê.

Minha vida então só pensa
Num alívio e tanto mal;
Abriga todos os doentes...
Faz-se hospital...

Chamei um médico. À parte,
Me diz o amigo doutor:
"A doença é grave". E em voz baixa:
"Só outro amor...".

- Seu Eudes, diga-me! e agora
Sua vida é ainda assim?
- Qual!!! hoje é cheia de rosas
Como um jardim...

João da Retreta
(in: Musa Fútil, Era Nova: 1925)

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