Pular para o conteúdo principal

Sindicato Rural de Esperança


O Sindicato Rural sempre foi um sonho do agricultor. A instituição tem o objetivo de fomentar esta atividade, tão essencial na vida do cidadão, promovendo o bem-estar daquele que põe a mesa os frutos da terra.
Por iniciativa do Padre Manoel Palmeira, deram-se inícios as reuniões para a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Esperança, que culminou com a sua criação no dia l9 de Abril de 1963.
Há três anos a classe agricultora despertara para a organização, sendo fortemente estimulados após o Natal de 1962, cujo pároco que registrou o seu entusiasmo no Livro de Tombo da Paróquia:
Iniciamos hoje esse sindicato, com 600 homens. Tudo indica que esse movimento será promissor. Recebemos orientação técnica do sr. Heli Cantalice. Do meio dia, começou chegar agricultor de todos os recantos da Paróquia. Vivemos uma tarde festiva. Movimentaram-se pela idade cerca de 2.000 agricultores inclusive famílias. Precedidos, pelas autoridades e seguidos pela banda de música, partimos, em marcha vibrante pela praça da Matriz para o Ginásio Diocesano, onde se realizou todo o programa de instalação, conforme a orientação técnica. O deputado Francisco Souto, representante autorizado do Exmo. sr. Governador do Estado, empossou a nova diretoria sob a adesão vibrante de uma nova multidão. Os livros de presença obtiveram 1.350 assinaturas” (Padre Manoel Palmeira da Rocha).

A solenidade de instalação teve início com uma passeata pelas principais ruas da cidade, encerrando-se no salão nobre do Ginásio Diocesano onde foi eleita a primeira diretoria da entidade camponesa. Presidiu os trabalhos o governador Pedro Moreno Gondim com as presenças de líderes sindicais dos nossos distritos, representantes do clero e autoridades.
A direção do sindicato ficou assim constituída: José Vieira da Silva (Presidente), Dionísio Vieira (Vice-presidente), Sebastião Ferreira dos Santos (Secretário), Pedro Victor Guimarães (2º Secretário), João de Deus Santos (Tesoureiro) e Euclides Batista (Vice-tesoureiro).
A primeira diretoria foi empossada logo após a eleição, com a leitura do Estatuto daquela classe operária e, para ressaltar o papel do sindicato, usou da palavra o Sr. Nelson Carneiro, Presidente do Sindicato Rural de Areia.
O Deputado Chico Souto em sua fala que “o novo sindicato representará um papel de vanguarda em favor das reivindicações camponesas, atuando vigilantemente na batalha pela obtenção de seus direitos” (A União: 1963).
O Padre Palmeira, por sua vez, encerrando a solenidade, concluiu que aquela entidade contava com mais de 500 associados, dispostos a lutar por condições de trabalho mais humanas.
O SRTE – Sindicato Rural dos Trabalhadores de Esperança foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho em 12 de Outubro de 1965. Passaram pela presidência, além de José Vieira, Sebastião Firmino dos Santos (1966) e José Antônio Pereira (1985).
De acordo com o Livro do Município, editado pelo Mobral (1985), o Sindicado foi “constituído para fins de coordenação, proteção e representação legal de sua categoria profissional, no plano da confederação nacional dos trabalhadores na Agricultura, com intuito de colaboração com o poderes ppúblicose demais associações, tudo no sentido de integração e solidariedade social”.
Representava naquela época (1985), um quadro social de 5.459 associados, prestando assistência jurídica, médica, odontológica e oftalmológica e, ainda em convênio com o Ministério do Trabalho - PEBE, mantinha 60 bolsas de estudos para filhos de agricultores.
A sede do Sindicato Rural de Esperança foi construída na gestão de Sebastião Firmino dos Santos e inaugurada em 08 de desembro de 1973.
Na época, a diretoria estava assim constituída: Sebastião Firmino dos Santos, Manoel Felix Filhoh e José Carnaúba de Medeiros.
A obra foi dedicada ao Monsenhor Manuel Palmeira da Rocha, que foi grande incentivador da sua criação.
Acerca da construção da sede, assim se pronunciou o Dr. João de Patrício em seu blog:
“Com a força dos agricultores, já que Esperança era um município essencialmente agrícola, conseguiu comprar um prédio antigo, junto da Igreja Matriz, onde funcionou o hotel de seu Zé Lino e, posteriormente, o "Hotel Brasil" de propriedade de Dona Jarmila” (Revivendo Esperança, 27/01/2016).

Hoje em dia o SRTE tem papel de grande importância social, conduzindo o homem do campo em sua atividade rurícola e garantindo que este se aposente após uma vida inteira dedicada a agricultura.

Rau Ferreira


Referências:
- A UNIÃO, Jornal. Edição de 14 de maio. João Pessoa/PB: 1963.
- ESPERANÇA, Livro do Município (de). Mobral/Unigraf. João Pessoa/PB: 1985.
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes da Historiografia do Município de Esperança. Esperança/PB: 2015.
- PARÓQUIA, Livro tombo (da). Vol. II, Pág. 7. Anotações do Padre Palmeira. Paróquia de Esperança/PB.

Comentários

  1. lembrome tanto quando ia com minha mae ao sindicato, como sinto saudades e ao mesmo tempo felicidades em ler esses pedacinhos da nossa historias, coisas que vi, desfrutei e at mesmo as que nao eram da minha epoca. volto ao tempo e sinto me como se estivesse em cada momento, parabens Rau a voce e a todos os historiadores, incluindo o meu filho querido Ismaell Filipe.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentário! A sua participação é muito importante para a construção de nossa história.

Postagens mais visitadas deste blog

Amelinha Theorga

Amélia Theorga Ayres, Amelinha, nasceu em Mamanguape em 29 de julho de 1907, filha do casal José Theorga e Eutália de Assis Theorga. Destacou-se na pintura, como uma das primeiras mulheres desta arte milenar, na década de vinte do Século passado. Era figura recorrente da Revista “Era Nova”, na qual o nosso vate Silvino Olavo participava, ora publicando sob o nome próprio ou, com o pseudônimo de “João da Retreta”. O Jornal “A União”, organizara em 07 de novembro de 1925, em seu salão principal, uma exposição para mostrar os seus trabalhos de arte, que ganhou forte adesão dos intelectuais da época, contando com o apoio do Presidente João Suassuna que adquiriu, para o patrimônio estadual, as obras “Reconto de Selva” e “Soluço das vagas”, e para si, o quadro “Horas de oiro”. Quatro dias depois, Silvino fizera publicar, no mesmo periódico, um artigo que exaltava a artista, o qual reproduzimos a seguir: “ Há entre os artistas da paisagem dois grupos: um que vê exação na naturez...

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

Genealogia da família DUARTE, por Graça Meira

  Os nomes dos meus tios avôs maternos, irmãos do meu avô, Manuel Vital Duarte, pai de minha mãe, Maria Duarte Meira. Minha irmã, Magna Celi, morava com os nossos avós maternos em Campina Grande, Manuel Vital Duarte e Porfiria Jesuíno de Lima. O nosso avô, Manuel Vital Duarte dizia pra Magna Celi que tinha 12 irmãos e que desses, apenas três foram mulheres, sendo que duas morreram ainda jovens. Eu e minha irmã, Magna discorríamos sempre sobre os nomes dos nossos tios avôs, que vou colocar aqui como sendo a expressão da verdade, alguns dos quais cheguei eu a conhecer, e outras pessoas de Esperança também. Manuel Vital e Porfiria Jesuíno de Lima moravam em Campina Grande. Eu os conheci demais. Dei muito cafuné na careca do meu avô, e choramos sua morte em 05 de novembro de 1961, aos 72 anos. Vovó Porfiria faleceu em 24 de novembro de 1979, com 93 anos. Era 3 anos mais velha que o meu avô. Nomes dos doze irmãos do meu avô materno, Manuel Vital Duarte, meus tios avôs, e algum...

Severiano Pereira da Costa

Severiano Pereira da Costa foi um dos grandes comerciantes locais, proprietário de uma casa de estivas. Ligado ao PSD, foi prefeito de Esperança (1942-1944), vereador e presidente da Câmara (1951-1955). Na vida social, participava do “Esperança Clube”, sendo presidente desta associação, sendo também dirigente da agremiação “São Cristóvão Esporte Clube”, criada em 12 de setembro de 1945. O título de cidadão esperancense, lhe foi concedido pelo prefeito Arlindo Carolino Delgado, por iniciativa do edil Antônio José do Nascimento, que em sua justificativa, esclarece a homenagem: “ Severiano Pereira da Costa é um esperancense de coração já consagrado pelo povo que o acolheu Prefeito e Vereador. É um homem absolutamente voltado ao progresso de Esperança, tendo, inúmeras vezes, demonstrado ser um apaixonado de nossa causa. Homem do trabalho, da paz e da concórdia. Durante esse largo período que vive ao nosso lado, sofrendo e chorando as dores do povo esperancense, tem participado, efeti...