Pular para o conteúdo principal

Frigorífico de Esperança (Parte I)

Esperança despontava como a maior produtora de batata inglesa, exportando o produto para diversas praças. Mas os produtores sofriam com a entressafra, os preços oscilantes do mercado e a falta de sementes. Surgiu a necessidade de se implementar um frigorífico para abarcar a produção.
O prefeito Luiz Martins havia sido convocado pelo Deputado Waldir dos Santos Lima para juntos encaminharem a José Carlos - diretor do DEMA -, o projeto de construção de uma unidade de conservação, com capacidade de 800 toneladas.
O seu objetivo era manter sob condições de resfriamento, batatinhas-sementes, garantindo o padrão das sementes, o que beneficiária, por muitos anos, cerca de 600 produtores rurais.
Esta era uma antiga aspiração. Há 15 anos atrás muito se empenhara o Ex-Deputado Estadual Chico Souto. Nesse aspecto, já havia viajado o político esperancense, em companhia do então prefeito Arlindo Delgado, para angariar junto às autoridades federais essa edificação. Em maio de 1976, o sonho começava a se tornar realidade.
O pleito contou ainda com o apoio do governador Ivan Bichara e Senador Domício Gondim. O investimento estava na ordem de Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), cabendo apenas ao Município a contrapartida de doar um terreno.
A área escolhida foi na PB 121, km 02 (saída para Areial), adquirido pela importância de Cr$ 80.000,00 (oitenta mil cruzeiros).
A construção provinha de recursos do Polonordeste, sendo composto por três câmaras refrigeradoras e infraestrutura de apoio (duas casas residenciais), ocupando um espaço de 270m2.
A inauguração aconteceu três anos depois, em 1979.

Rau Ferreira

Referência:
- BORBOREMA, Diário da. Jornal. Edição de 28 de maio. Campina Grande/PB: 1976.

- FERREIRA, Rau. 45 notas históricas: Recortes de Esperança. Ebook. Edições Banabuyé. Esperança/PB: 2015.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…