Pedro e a pedra brilhante

By | 18.2.15 Deixe seu comentário
Existem muitos “causos” em torno da figura de Pedro Pichaco, esperancense que ficou conhecido em toda a Paraíba pela sua sagacidade. Este, sempre que viajava para outros Estados, retornava à Campina, onde contava seus feitos na Praça do Capitólio em forma de anedotas misturando realidade e ficção.
Pois bem. A estória que estamos para contar é uma dessas “aventuras” do velho mandrião e que fazem parte do imaginário popular.
Em todo o mundo existe gente ambiciosa, louca para ganhar algum de maneira rápida e fácil. Está fórmula para o desavisado é mesmo infalível e Pedro não desperdiçava uma boa oportunidade.
Havia em Campina, nos anos 30, um jornal de grande circulação chamado “O Rebate”, fundado pelo professor Luiz Gil de Figueiredo. Este cidadão lecionou durante alguns anos em Esperança, onde também publicou nas páginas d’O Tempo (1932).
Um de seus redatores mostrava-se mui sonhador. Jogava no bicho e arriscava em tudo quanto era sorte. Pedro freqüentava a oficina do amigo Luiz Gil com freqüência, onde se valia de alguns “favores” para imprimir folhetos de curas milagrosas e cartões de apresentação com que maquinava seus golpes. Percebendo a “fraqueza” do revisor, apresentou-lhe certa feita uma pedra insinuando desconhecedor da sua importância:
- amigo, encontrei nessas minhas andanças uma pedra brilhante e como estou a precisar de uns acertos com seu patrão gostaria de repassar – disse.
O funcionário mostrando-se ingênuo, porém “astucioso”, comprou o objeto pagando valor irrisório apenas “para não perder a amizade”. Pouco tempo depois estava ele em um ourives avaliando a jóia, onde recebeu a notícia de que aquilo não passava de um minério sem valor. Imediatamente pôs-se a procurar Pedro, e encontrando-o no Beco do 31 com outros amigos, objetou o destrato:
- Pedro, isso aqui não é brilhante coisa alguma é uma pedra sem valor!
- E quem disse que era valiosa? Eu deixei bem claro que era uma pedra brilhante e pode olhar bem que ela brilha!
Os presentes puseram-se a rir e o jornalista saiu cabisbaixo com aquela situação em que nada podia fazer. O fato é que depois desta venda Pedro não mais pisou na redação d’O Rebate.
Como diria a personagem Chicó: sei não, só sei que foi assim!


Rau Ferreira
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