Pular para o conteúdo principal

Relógio da Igreja (2ª Parte)



A aquisição de um relógio paraa Igreja Matriz de Esperança teve início em 1931, por iniciativa do Coronel ElysioSobreira.
Na época, o ilustreesperancense era o Chefe da Força Policial do Estado, cargo hoje equivalente a Comandanteda Polícia Militar, que formou uma comissão para angariar recursos com estafinalidade.
O dinheiro era recolhido juntoa Caixa Rural e Operária, recebendo inúmeras doações de toda a Parahyba.
As primeiras contribuições de quese tem notícia aconteceram em junho e setembro daquele ano, registrando-seentre os colaboradores o poeta Silvino Olavo.
O movimento continuou no anoseguinte.
O jornal “A União” de 1932,publicou a seguinte nota:

Para a acquisição de um relógio para amatriz de Esperança
Otenente-coronel Elysio Sobreira recolheu hontem à Caixa Rural desta cidade aimportância de 100$000, sendo 50$000 remettidos pelo dr. José Severino, juiz dedireito de Areia e 50$000 pelo sr. Antonio Pires de Mello, residente emPrincêsa.
Ditasimportâncias destinam-se a acquisição de um relógio para a matriz de Esperança”.

O bravo comandante exercia ainda a chefia política do município deEsperança, indicado pelo Partido Republicano logo após a emancipação ocorridaem 1925.

Rau Ferreira

Fonte:
- AUNIÃO, Jornal. Edição de 27 de janeiro. João Pessoa/PB: 1926.
- AUNIÃO, Jornal. Edição de 28 de junho. João Pessoa/PB: 1931.
- AUNIÃO, Jornal. Edição de 13 de setembro. João Pessoa/PB: 1931.
- AUNIÃO, Jornal. Edição de 18 de maio. João Pessoa/PB: 1933.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antiga fábrica de caixões

Houve um tempo que não existiam planos pós-morte e que o povo carente se enterrava com a própria rede. Ser conduzido em um ataúde para a morada eterna era um luxo para poucos. Os falecidos eram velados nas próprias residências de um dia para o outro. Servia-se café na cozinha, enquanto que os homens ficavam na sala contando histórias de “trancoso”. O município passou então a dar o artefato, mas dia sim e dia não tinha uma viúva batendo a porta da prefeitura, foi então que alguém resolveu instalar uma fábrica de caixões na rua Theotônio Tertuliano, por trás da Secretaria de Educação. O caixão fúnebre era construído dessas madeiras de caixa de batata, com alguns caibros para dar sustentação. Forrava-se com um plástico fino, de cor azul para homem ou roxo e rosa para mulheres. Na tampa se colocava um vidro para ver o ente querido. Era pequeno e, a depender do defunto, precisava fazer alguns ajustes. A prefeitura também dava a mortalha, que era um camisão, enquanto que as flores ficaram a …

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…