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Louvação (Inspirado no Salmo 148)


Ao amigo José Mário da Silva Branco

Louvai ao Senhor ó terra inteira
Louvai-o por sua grandeza
A Ele pertencem a realeza
e sua obra primeva:

A sabedoria, mestra faceira
Luiz no escuro sempre acesa
Apresenta-se a quem queira
Se deliciar de suas proezas.

E revelando Deus a sua maneira
De infinita bondade e beleza
Faz contumaz e ligeira
A louvação da natureza.

Rau Ferreira

José Mário da Silva Branco, escritor e crítico literário, teceu alguns comentários acerca deste nosso singelo poema “Louvação”.
De fato, foi uma análise profunda, que foi além do saltério, para captar o sentido bíblico por trás dos versos. Eis as ponderações do colega da ALCG - Academia de Letras de Campina Grande:
"Em seu clássico livro ‘Introdução à Semanálise, a teórica da literatura’ Julia Kristeva afirma que o texto literário é um mosaico de citações, um modo como o texto se insere na história, e é por ela atravessado. E arremata a referida ensaísta: todo texto é antes de tudo um intertexto.
Para Affonso Romano de Sant'Anna, em ‘Paródia, Paráfrase & Cia’, a intertextualidade se operacionaliza de múltiplas formas, distinguindo-se a que se efetiva de modo latente e a que o faz de modo explícito.
Tendo em mira a reflexão do criador de ‘O Canibalismo Amoroso’, visualizo na ‘Louvação’ engendrada por Rau Ferreira um diálogo intertextual explícito com o código bíblico, mais precisamente o que ocupa as páginas do Saltério hebraico, tesouro especial de orações e louvores do povo de Deus da Antiga Aliança, memoráveis documentos de fé e testemunho vivo da peregrinação de Israel em seu caminhar com Yavé.
Aqui, no texto em tela, a função apelativa da linguagem cartografa a solene convocação para que todos os seres humanos, em todas as geografias, louvem a Deus, e o exaltem por seus poderosos feitos.
A ênfase recai sobre a dimensão criadora do Senhor, que, com o poder da sua Palavra, não somente trouxe a existência tudo quanto ainda não existia, como também espalhou, no Grande Livro da Criação, as suas indeléveis impressões digitais.
Os salmos oito e dezenove corroboram essa verdade, assim como a carta aos Romanos, de autoria do apóstolo Paulo, em sua argumentação introdutória, aquela em que o timoneiro do Cristianismo aponta, dentre outras coisas, para a indesculpabilidade dos homens em face da deliberada atitude de rejeição que eles tiveram em relação à Revelação Natural de Deus.
O poema de Rau Ferreira adere, explicitamente, à cosmovisão exponenciada pelo sacro texto de que se valeu para construir a sua ‘Louvação’.
A Beleza, a Bondade, a Infinitude e a Sabedoria divina também são códigos temáticos que perpassam o texto, aos quais se associa uma tonalidade celebratória, passível de ser evidenciada na leitura oral do texto, dado que a tonalidade, conceito originário do universo da música, quando transportado para a territorialidade literária, diz respeito, segundo o mestre Alfredo Bosi, a uma dimensão afetiva que recobre as camadas da expressão.
Os mais recentes escritos de Rau Ferreira têm incursionado pelo mundo numeroso e multiplicado dos horizontes bíblicos, do qual ele tem extraído motivos, motivações e inspiração para o seu lírico cantar da vida, sublime romance escrito pela invisível, mas real, não do Criador” (José Mário).

José Mário é Membro das Academia Campinense e Paraibana de Letras; e na atualidade, o maior nome das letras em nosso Estado, com projeção nacional.
Não bastassem esses predicados, é um homem de Deus, evangelizador que tem convertido muitas almas do pecado da morte.


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