Pular para o conteúdo principal

As eleições de '63

Trecho da Carta do Deputado Chico Souto

Uma dos pleitos mais disputados em nosso Município foram as eleições de 1963. Luiz Martins de Oliveira, recém chegado a esta cidade, para trabalhar na coletoria, caiu nas graças de Chico Souto, então deputado estadual, que na época era uma das forças políticas locais.
O prefeito Joaquim Virgolino da Silva há pouco havia sido derrotado por Arlindo Delgado (PSD), administrando a cidade de 1959/63. Mesmo assim, ainda era um líder político, com bastante prestígio.
Afastando-se Arlindo para ocupar um lugar na Ordem dos Advogados da Paraíba – OAB/PB, e mudando-se para a Capital do Estado, restava poucos candidatos que pudessem enfrentar Joaquim naquela eleição vindoura.
Chico Souto decidiu apoiar Luiz Martins, para se contrapor a Joaquim Virgolino, numa das maiores disputas de votos de Esperança. E fez circular na cidade, uma carta demonstrando a sua preferência, cujos principais tópicos transcrevo a seguir:

Quando se aponta um candidato não se nega a capacidade de outro amigo. Pelo contrário: é a renúncia de muitos capazes e dignos, em favor de um que se torna o denominador da opinião geral do eleitorado. [...] Não há sombra de dúvidas que quantos sustentaram a bandeira de luta em favor da libertação de Esperança, nas gloriosas marchas cívicas iniciadas em 1957, estarão novamente unidos a fim de votarem maciçamente em LUIZ MARTINS que, sendo candidato do povo é o meu candidato.
Quero afirmar, por outro lado, que MANUEL LUIZ PEREIRA, é o nosso candidato a vice-prefeito, na chapa de LUIZ MARTINS. Novamente foram os amigos que ditaram aquela indicação distinguindo o valoroso e velho companheiro de tantas lutas cívicas, pelos inúmeros serviços prestados à coletividade Esperancense. [...]” (Esperança, julho de 1963. Francisco Souto Neto”.

Luiz Martins (PDC) foi eleito com 66,97% dos votos válidos. Joaquim Virgolino (UDN) obteve o percentual de 26,71%. Os demais candidatos foram Pedro Mendes de Andrade (PL) com 5,06% e Valdemar Cavalcante (PSB) com 1,26%.
Na época a votação de prefeito era separada do seu vice, mas nessa eleição o dito eleito foi Manuel Luiz Pereira com 51,35% dos votos; alcançando Pedro Taveira Filho a segunda colocação (27,84%) e Nelson Andrade de Oliveira a terceira (20,82%).
Os vereadores eleitos foram José Antonio (UDN), José Vieira da Silva, Dogival Belarmino Costa, Antônio Roque dos Santos (Michelo), Antônio Gomes da Rocha (Antônio de Epitácio) e Militina Rodrigues de Almeida todos estes pelo PDC.
A chapa formada para 1969/73, pela Arena, ficou assim constituída: Antônio Coelho Sobrinho, prefeito; e Dogival Belarmino Costa, vice-prefeito. Sagraram-se vencedores pela ARENA1, com 71,5% dos votos válidos, obtendo Joaquim Virgolino da Silva a segunda colocação, disputada pela ARENA2, com 28,5%.
O quadro desta postagem - trecho da carta de Chico Souto - para as eleições de 1963, nos foi doado pela Sra. Lucélia Martins, filha de seu Luiz Martins, que foi o cidadão que por mais tempo ocupou a cadeira de prefeito neste Município de Esperança.

Rau Ferreira


Legenda:
PSD - Partido Social Democrático
PDC - Partido Democrático Cristão
UDN - União Democrática Nacional
PL - Partido Liberal
PSB - Partido Social Brasileiro
ARENA - Aliança Renovadora Nacional

Fontes consultadas:
- TRE, Resultado das Eleições. Disponível em: http://www.tre-pb.gov.br/;, acesso 22/02/2019.
- SOUTO, Chico. Esperancenses! Carta apoio. Esperança: 1963.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Administração Odaildo Taveira (1979)

Odaildo Taveira Rocha foi eleito pela ARENA 1, com apoio de seu Luiz Martins, numa eleição muito acirrada contra José (Zeca) Torres. Ele que já havia sido vice de seu Luiz (1973-1977), agora se elegia gestor do Município de Esperança, tendo como vice o Dr. Severino (Nino) Pereira. Ex-funcionário de banco, iniciou seus estudos no Externado “São José”, da professora Donatila Lemos. Odaildo também chegou a presidir o Conselho de Desenvolvimento de Esperança que, em parceria com o PIPMOI - Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-Obra Industrial, organizava cursos de marceneiros, tratoristas, encanadores e eletricistas a serem ministradas pelo SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.   Com relação a sua administração, colhemos dados em uma publicação do parceiro e blogueiro Evaldo Brasil, em seu site “Reeditadas”, o qual publicou um calendário com o resumo do ano de 1979, que passo a reproduzir.   “ Poder Executivo Prefeito: Odaildo Taveira Rocha Vice-pre...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A origem...

DE BANABUYU À ESPERANÇA Esperança foi habitada em eras primitivas pelos Índios Cariris, nas proximidades do Tanque do Araçá. Sua colonização teve início com a chegada do português Marinheiro Barbosa, que se instalou em torno daquele reservatório. Posteriormente fixaram residência os irmãos portugueses Antônio, Laureano e Francisco Diniz, os quais construíram três casas no local onde hoje se verifica a Avenida Manoel Rodrigues de Oliveira. Não se sabe ao certo a origem da sua denominação. Mas Esperança outrora fora chamada de Banabuié1, Boa Esperança (1872) e Esperança (1908), e pertenceu ao município de Alagoa Nova. Segundo L. F. R. Clerot, citado por João de Deus Maurício, em seu livro intitulado “A Vida Dramática de Silvino Olavo”, banauié é um “nome de origem indígena, PANA-BEBUI – borboletas fervilhando, dados aos lugares arenosos, e as borboletas ali acodem, para beber água”. Narra a história que o nome Banabuié, “pasta verde”, numa melhor tradução do tupi-guarani, ...