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O Bloco Zé Pereira

O "Pereira" - Foto: Jornal A CIDADE
O Carnaval de Esperança começa oficialmente no Arrastão do Sábado. Mas, ainda na madrugada, nos dias de hoje há o primeiro grito que se dá com a saída do “Bloco Zé Pereira” pelas ruas da cidade, acordando as pessoas para dizer que os festejos do Rei Momo se iniciam.

A tradição no Brasil remonta ao Século XIX e recebe influência portuguesa. Por aqui data dos anos 40 quando o carnaval se popularizou.

O “Pereira” é caracterizado por todo tipo de bagunça e tem um ar de mistério que fica por conta do seu percurso durante a madrugada. A música é conhecida em todo o país:
Viva o Zé Pereira,
Que a ninguém faz mal,
Viva a pagodeira,
Nos dias de Carnaval,
(...)
           
Mas, a letra trazida de Portugal era assim:
E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval
           
Por aqui ganhou até variação, como certamente em outros lugares;
Viva o Zé Pereira,
Viva o Juvenal,
Viva o Zé Pereira,
Que é o bom do Carnaval
(...)

No Centro Artístico Operário e Beneficente de Esperança/CAOBE havia o baile pré-carnaval que acontecia no sábado. Adentrando a festa pela madrugada, ao sair daquele sodalício, ao primeiro canto do galo do domingo, as pessoas se juntavam a diversas troças e mascarados percorrendo as principais artérias numa verdadeira algazarra, gritando em coro:
Olha o Pereira,
Viva o Zé Pereira”.

Nos anos 80, o Pereira saia da Comunidade S. Francisco. Segundo dizem, a sua estrutura era montada em uma caixa de geladeira, com uma grande cabeça confeccionada em papelão e arame. Para o folião brincar não precisava de uma vestimenta, qualquer trapo de roupa velha bastava para cair na folia.

Muita gente tinha medo de abrir a janela para assistir a sua passagem, o que nos faz lembrar da áurea de mistério que envolve o bloco.

Hoje há grupos que sobrevivem graças a abnegação de alguns foliões, que ainda conseguem levar para as ruas da cidade o velho bloco do “Zé Pereira”. Ainda saindo em mais de uma troça, do Britador, do Morro do Piolho e do Catolé ou unificado quando as dificuldades de apoio são mais fortes que o desejo dos brincantes.


Rau Ferreira

Referências:
- FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro: 2005.
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes da Historiografia do Município de Esperança. Esperança/PB: 2015.
- MORAES, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record, 1987.- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.
- SOUZA, Inácio Gonçalves de. Memorial do carnaval de Esperança. 1ª ed. Edições Lyrio Verde. Esperança/PB: 2016.

E X T R A
C49-019 O Carro da Madrugada vai engolir U-Perera? (I)
(Primeiro se conquista, depois se trai)

I- Tradicional Zé-Pereira/ Bloco das madrugadas/ Anuncias de primeira/ A festança escancarada! Para si mesmo dê vivas/ E o Carnaval, incentivas,/ Chama a gente à empreitada.

II- Vamos cantar! Vamos brindar! Vamos! Esse é novo dia! Vamos dançar! Vamos brincar! Vamos! Com grande alegria/ Viva o Zé-Pereira! – Viva! Viva o Carnaval! – Viva! Vai raiar um novo dia!

III- E por aqui o Zé-Pereira/ Também pelas madrugadas/ Anunciava de primeira/ A festança improvisada. Corre atrás pra ter apoio/ Mas parece que um joio/ Em seu trigo faz morada.

IV- E os gritos de “Ó U-Perera”/ Estão sendo sufocados/ Pelo inchaço oficioso/ Por “apoios” que são dados/ Sem clara contrapartida/ Sonorização mal definida. E os foliões, quase calados!

V- E a gente ficava esperando,/ O grito de guerra acordava,/ E a batucada vinha tocando,/ E a expectativa redobrava. Hoje a prova da melhora/ Ou sinal de: – Vá-se embora! Quem disso não concordava.

VI- – Isso é uma esculhambação/ Coisa de povo assombrado/ Que diante da omissão/ Acaba sendo controlado. E tudo o que vai fazer/ Depende de um parecer/ De um doutor advogado!

VII- Mas U-Perera nunca teve/ Uma ajuda merecida/ Até já mudou de nome/ Na trajetória sofrida: E agora virou um galo. Na madrugada resvalo/ Ante ação mal concebida!

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 05 de Fevereiro de 2008)

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