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De quando a paróquia chorou

Monsenhor Manuel Palmeira da Rocha

O amigo Jônatas Rodrigues Pereira enviou-me uma reportagem assinada pelo saudoso jornalista Jacinto Barbosa sobre a eleição de Dom Palmeira para Bisco de Pesqueira/PE. A matéria ocupa duas páginas do Diário da Borborema. Neste artigo faço um breve relato da sua despedida desta paróquia:
Foi numa terça-feira, 25 de março! A notícia havia sido veiculada na Rádio Caturité por Dom Manuel Pereira em seu programa diário e, apesar da audiência desta estação, demorou até que toda a comunidade católica absorvesse o seu conteúdo: Padre Palmeira estava indo embora! O Papa João Paulo II lhe teria escolhido para ser Bispo em Pesqueira/PE.
Nesse dia o sino da igreja matriz tocou mais forte. Muitos acorreram à casa paroquial e encontraram o padre que há 29 anos aprenderam a amar entre cumprimentos e lágrimas. Eram pessoas de todas as classes sociais.
O Monsenhor Palmeira demonstrava um misto de alegria e tristeza. O povo não entendia. A ingenuidade dos fiéis era tanta que se comentava na cidade: “Mas, que Papa sem coração é esse que tem coragem de tirar Monsenhor de Esperança?”, “não sei o que será de mim sem Monsenhor nesta cidade”.
O vigário a muito custo procurava abrandar os corações com palavras de amor e fé: “Está havendo uma manifestação de alegria, porque foi uma promoção, e de tristeza também porque terei que deixar esta cidade onde convivi a maior parte da minha vida ao lado do meu povo”.
Pois bem. Todos sabem o quanto Manuel Palmeira amava esta terra, nas palavras de seu neto espiritual, Ônio Lyra, que guarda com carinho uma carta de suma importância para a história eclesiástica esperancense, era desejo seu ser enterrado em Esperança. Aqui na gruta N. S. de Lourdes está enterrado os restos mortais de seus pais. Luiz José da Rocha e Ana Palmeira da Rocha.
Foi aqui que ele celebrou dois principais marcos de sua vida sacerdotal: suas Bodas de Prata (1972) e o Jubileu de Sacerdócio (1976), registradas em placas apostas na nave principal da igreja.
À noite o Monsenhor Palmeira foi para a “Casa de Deus” que tantas alegrias lhe conferiram nesta cidade. Com a igreja repleta de gente e assessorado pelos diáconos José Lira e Eugênio celebraram missa de ação de graças pela sua eleição. O dia de sua posse, em Campina Grande, prevista para o próximo 27, estava prestes a acontecer.
E assim o município despedia-se daquele que trabalhou pela educação, pelos agricultores, pela saúde e bem-estar de seu povo. Muitas foram as obras do vigário nesta cidade, que merecem pois um capítulo a parte.
A comunidade assumira a responsabilidade de mandar imprimir uma “lembrança”, em forma de panfleto, com a imagem do padre já com as vestes de bispo.
O vigário escolhe como tema para seguir essa nova missão: “Luz et Vitas” (Luz em Vida), queria com isso dizer que: “Jesus Cristo é a luz do mundo, Jesus veio trazer a vida nova ao mundo paganizado e na escolha dos apóstolos, foi o seu plano que eles continuassem no mundo até o fim como portadores de luz e vida para o povo de Deus, Luz pelo anúncio do evangelho e vida como dispensados dos sagrados mistérios”.
O jornalista Jacinto Barbosa, comentou sobre a despedida de Padre Palmeira: “Na realidade, foram 29 anos de dedicação de bons conselhos, de dispensas, de tormentos, de descasos, de reconciliação, de solidariedade e de humildade que resume a sua vida nesta cidade”.
O então universitário – hoje jornalista – Carlos Roberto Cardoso, assim se manifestou: “Estou convicto de que sua promoção a Bispo, não fa-lo-á orgulhoso; tornarna-lo-á sim, mais humilde do que sempre o foi na sua divinia missão aqui na terra. Da videira ele é o galho mais verde, o mais viçoso e, tenho certeza, há de conservar-se assim. Estou contente e envaidecido de vê-lo promovido. É uma promoção justa e merecida”.
Já o advogado – e também memorialista – João Batista Bastos, encerra toda uma epopéia de homenagem em despedida comovente: “Esperança, hoje, é um grande rebanho que chora na sua despedida. A Igreja Católica promove Monsenhor Palmeira onde reconheceu sua qualidade de Sacerdote mais zeloso, honesto, simples e dedicado exclusivamente à pregação dos Evangelhos. A Igreja tem na pessoa do Monsenhor Palmeira um Santo Moderno”.
Nesse ponto também concordava o Padre Zé Coutinho em carta de 27/11/1972, textualmente: “Tudo que se fizer por você é muito pouco, porque você é extraordinariamente caridoso, falemos em termos mais claros, verdadeiro Santo, que praticou totalmente o Evangelho, passando a vida inteira fazendo o bem”.
Nesses 29 anos de sacerdócio dedicados à Esperança, Padre Palmeira teve que se afastar apenas uma vez do seu rebanho. Foi no período de junho de 1975 à julho de 1976 para fazer um curso em Roma. Tamanho era o seu amor pela cidade que evitou comunicar que iria viajar, partindo sem deixar vestígios.
No natal de ’75, quando muitos esperavam o seu retorno, enviou uma fita cassete com uma mensagem gravada o que causou forte emoção, sendo necessária a intervenção das autoridades para conter a multidão que se aglomerava na casa paroquial.
Pesqueira era o destino. A sua missão estava apenas começando. Na sua humildade, finalizou o padre: “Só tenho que agradecer a Esperança pelos anos de estágio que fiz onde me preparei para um novo mistério”.

Rau Ferreira


Fonte:
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá - Recortes da Historiografia do Município de Esperança. No prelo.
- BARBOSA, Jacinto. Revista “Esperança 82 Anos”. Editor. Esperança/PB: 2007.

- BORBOREMA, Diário da. Edição de 06 de abril. Campina Grande/PB: 1980.

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