Pular para o conteúdo principal

José Laureano

José Laureano
José Laureano nasceu na povoação de Banabuyé, em 27 de novembro de 1884. Era filho do Coronel Caetano Laureano e Anna Laureano do Sacramento. Seu pai influenciava a política local.
Estudou na Bahia, onde deixou boas relações de amizade. Quando retornou, por volta de 1901, foi morar em Lagoa do Remígio com o seu genitor, fixando residência.
Casou-se com Antônia Laureano dos Santos, com quem teve os seguintes filhos: Arthunísio, Chysólito, Deliffly e Marialvo.
Em Remígio, era proprietário da Empresa de Força e Luz, inspetor escolar e dono de uma fábrica de beneficiamento de algodão. No livro de Péricles Vitório (Remígio: Brejos e Carrascais, 1992), há o seguinte registro:
“Zé Laureano avançava no comércio, abria novas lojas, se enchia de notas promissórias e emprestava dinheiro debaixo de hipotecas quase insolúveis. (...) Era sem dúvida o homem forte do povoado, para onde trouxe pessoal qualificado, de outras praças adiantadas, para trabalhar com ele, às vezes, cedendo capital de giro e mercadorias, abrindo novas casas comerciais” (pp. 154 e 174).
Costumava desfilar pelas ruas com o seu “buik” novinho, conduzido por um chofer. Após a morte de Joca Soares, alto comerciante e Conselheiro Municipal das Lagoas de Remígio, assumira o seu espólio. Tinha negócios em Arara, Areia e Alagoa Grande. Emprestava dinheiro, sendo considerado o “banco” de Remígio.
Na política a sua participação foi decisiva em prol da campanha de José Américo de Almeida, em que o aliancista sagrou-se vencedor.
Porém, Laureano foi vítima de um terrível acidente. No momento em que perseguia o assassino do comerciante Marcelino Medeiros, vítima de três tiros de fuzil disparados por um soldado de polícia, a pistola mauser de um cabo que estava no carro, disparou indo o projétil se alojar em baixo do braço esquerdo, levando-o a óbito José Laureano.
A notícia de seu passamento deixou consternada a povoação de Remígio, e repercutiu também em Areia e Esperança. Assim manifestou um areiense, correspondente d’A União:
“O desaparecimento de José Laureano é uma perda irreparável para Lagoa de Remígio. Elemento social dos mais destacados (...)”.
José Laureano faleceu em 20 de janeiro de 1931, aos 47 anos de idade, deixando a viúva, quatro filhos pequenos e uma fortuna considerável.


Rau Ferreira

Fonte:
- Jornal A UNIÃO. Ano XXXIX, Nº 16. Edição de 31 de janeiro. João Pessoa/PB: 1931.

- SERAFIM, Péricles Vitório. Remígio: Brejos e Carrascais. Ed. Universitária. João Pessoa/PB: 1992.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”. Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei. O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro: “Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via s...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Noêmia Rodrigues: primeira Miss Esperança

Não é de hoje que os esperancenses escolhem a mais bela. A primeira miss de que temos notícia, foi a Srta. Noêmia Rodrigues de Oliveira. A edição de maio da revista “Vida Doméstica” estampava em suas páginas a garota como vencedora do certame de beleza, realizado em nosso Município no ano de 1934. Noêmia era filha de Esther Fernandes (Teté) e Manoel Rodrigues de Oliveira, eram seus irmãos Bernadete, Wilson e Nilson Fernandes de Oliveira. O seu pai – que também era criador de gado -, foi o primeiro prefeito municipal (1925 /1928) e proprietário da “Loja Ideal”; e foi por intermédio de sua genitora que se construiu a “Capelinha das Pedras”, sob a invocação de N. S. do Perpétuo Socorro, como graça pela extirpação da “Cholera Morbus” na região. Sabemos, ainda, através do historiador Martinho Júnior, que seu irmão Nilson era aviador. A jovem que frequentava os principais eventos sociais, era de fato uma mulher bonita, o que se pode perceber pela fotografia que estampa esta matér...

Zé-Poema

  No último sábado, por volta das 20 horas, folheando um dos livros de José Bezerra Cavalcante (Baú de Lavras: 2009) me veio a inspiração para compor um poema. É simplório como a maioria dos que escrevo, porém cheio de emoção. O sentimento aflora nos meus versos. Peguei a caneta e me pus a compor. De início, seria uma homenagem àquele autor; mas no meio do caminho, foram três os homenageados: Padre Zé Coutinho, o escritor José Bezerra (Geração ’59) e José Américo (Sem me rir, sem chorar). E outros Zés que são uma raridade. Eis o poema que produzi naquela noite. Zé-Poema Há Zé pra todo lado (dizer me convém) Zé de cima, Zé de baixo, Zé do Prado...   Zé de Tica, Zé de Lica Zé de Licinho! Zé, de Pedro e Rita, Zé Coitinho!   Esse foi grande padre Falava mansinho: Uma esmola, esmola Para os meus filhinhos!   Bezerra foi outro Zé Poeta também; Como todo Zé Um entre cem.   Zé da velha geração Dos poetas de 59’ Esse “Z...