Capelinha do Perpétuo Socorro

By | 22.9.11 1 comment
Reportagem Especial

A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa “lugar onde primeiro se avista o sol”.
O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII.
Diz a história que na década de 20 do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção.
Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925.
Este obelisco fica no bairro da Beleza e sua entrada se dá pela Rua Barão do Rio Branco. Nele encontramos uma lápide com a inscrição que motivou a sua construção:

1º DE JAN. DE 1925. MANUEL RODRIGUES DE OLIVEIRA E SUA ESPOSA ESTHER F. DE OLIVEIRA, MANDARAM CONSTRUIR ESTE MONUMENTO, COMO UM ACTO DE AGRADECIMENTO A VIRG. SS. DO PERPETUO SOCORRO, POR MERCÊS POR ELLES ALCANÇADAS. MERECEU APROVAÇÃO DE SUA EXCIA. REVMA. D.ADAUCTO, ARCEBISPO DA PARAHYBA, E CONCURSO DO POVO E DO PE. JOSÉ BORGES QUE O INAUGUROU SOLENIMENTE”.

Em maio de 1925, o governador João Suassuna, de passagem por Esperança, visitou a capelinha juntamente com a sua comitiva o que foi registrado pela revista Era Nova.
Em seu interior existe um altar em alvenaria e imagens católicas. Diz-se ainda que um jornal da época noticiou esse fato, cujo quadro emoldurado fazia parte do seu acervo.
O hino de sua evocação é de autoria de Sebastião Florentino de Medeiros (Basto de Tino). A sua letra permaneceu esquecida no tempo e só recentemente foi resgatada pela poetisa e ativista cultural Vitória Régia Coêlho, por ocasião do Centenário desta Paróquia do Bom Conselho: 
Homenagem 
De longe se avista
Bem pertinho desta cidade
Um monumento erguido
No mosteiro da felicidade
Contam os mais velhos
Que conhecem o seu passado
Que ali foi uma promessa
Que alguém deixou gravado
É nesta linda capela
É neste pequeno morro
É onde se venera
A Senhora do Socorro
Bem de perto da capelinha
Têm uma linda paisagem
Nas águas que ali existe
Reflete a sua homenagem
É nesta linda capela
Gravada em letras se ver
A homenagem
Ao seu Divino Poder. 

Comenta-se ainda que o Padre João Honório de Melo em sua administração paroquial (1935/1951) determinou a remoção da imagem da Capelinha para a Igreja Matriz, ato que gerou muita polêmica entre os cristãos locais. A cidade ficou em povorosa.
Um dos filhos de Dona Niná, ficou bastante comovido e teria solicitado de uma autoridade eclesial o retorno da imagem ao seu lugar de direito. O pedido fora atendido de imediato e os devotos da Imaculada Virgem do Bom Conselho acompanhado a recolocação da imagem ao seu lugar de costume.
Lenda ou não, deste fato nos dá notícia o historiador Martinho Júnior em seu belo trabalho para a Universidade Estadual da Paraíba, em conclusão de sua especialização.
Em 2008 o monumento passou por um intenso processo de restauração. O Monge Beneditino Adriano de Lima, especialista no assunto, trabalhou durante 45 dias naquela obra removendo toda a pintura antiga até chegar na camada original. Ainda foram recuperados o altar-mor e as portas da capela. 
A Capelinha recebe visitação de curiosos e turistas que querem conhecer o lugar e sua história, o qual além de tudo possui uma visão privilegiada da cidade. Esta capela pode inclusive ser catalogada como a menor capela do mundo pelo Guiness Book.

Rau Ferreira
Fonte:
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985;
- ESPERANÇA, Prefeitura Municipal de. Monumento está sendo restaurado em Esperança. Em: www.pmesperanca.com.br, acesso: 13/05/2008;
- HISTÓRIA, Esperança. Site virgulino.com, acesso em 05/06/2007;
- JÚNIOR, Martinho. OLIVEIRA, Maria José (Orientadora). Obelisco Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Especialização em História do Brasil. UEPB: 2004;
- PARÓQUIA, Revista Centenário da. Monumento de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ed. Jacinto Barbosa. Esperança/PB: 30 de maio de 2008.
- PEREIRA, Severino Ramos. A Capelinha. Em: www.pmesperanca.com.br, acesso: 13/05/2008.
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1 Comentários:

Clarice Pê disse...

A Capelinha. Ponto de encontro. Ponto de romantismo e de poesia. Para os casais de namorados era um ponto de encontro romantico, aos domingos, à tarde. Para os poetas,um ambiente perfeito, de inspiração, de encontro com a natureza, usando a beleza do ambiente, fazendo a contemplação das nuvens brancas que passeavam no céu da nossa cidade calma. Durante várias décadas, os encontros foram se tornando mais exagerados, a ponto de ser proibida pela Paróquia a frequencia de casais de namorados.Agora, resta apenas a saudade. Só os olhares cotemplam a beleza daquele monumento, ao longe.