Pular para o conteúdo principal

Capelinha N. S. do Perpétuo Socorro

Capelinha (2012)
Um dos lugares mais belos e importantes do nosso município é a “Capelinha” dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro. Este obelisco fica sob um imenso lagedo de pedras, localizado no bairro “Beleza dos Campos”, cuja entrada se dá pela Rua Barão do Rio Branco.
A pequena capela está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa “lugar onde primeiro se avista o sol”.

O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII.

Consta que na década de 20 houve um grande surto de cólera, causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira, teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. 
Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925.
Nele encontramos uma lápide com a inscrição que motivou a sua construção: 
“1º DE JAN. DE 1925. MANUEL RODRIGUES DE OLIVEIRA E SUA ESPOSA ESTHER F. DE OLIVEIRA, MANDARAM CONSTRUIR ESTE MONUMENTO, COMO UM ACTO DE AGRADECIMENTO A VIRG. SS. DO PERPETUO SOCORRO, POR MERCÊS POR ELLES ALCANÇADAS. MERECEU APROVAÇÃO DE SUA EXCIA. REVMA. D.ADAUCTO, ARCEBISPO DA PARAHYBA, E CONCURSO DO POVO E DO PE. JOSÉ BORGES QUE O INAUGUROU SOLENIMENTE”.


Em maio de 1925, o governador João Suassuna, de passagem por Esperança, visitou a capelinha juntamente com a sua comitiva o que foi registrado pela revista Era Nova.
Em seu interior existe um altar em alvenaria e imagens católicas. Diz-se ainda que um jornal da época noticiou esse fato, cujo quadro emoldurado fazia parte do seu acervo.
O hino de sua evocação é de autoria de Sebastião Florentino de Medeiros (Basto de Tino). A sua letra permaneceu esquecida no tempo e só recentemente foi resgatada pela poetisa e ativista cultural Vitória Régia Coêlho, por ocasião do Centenário desta Paróquia do Bom Conselho:

Homenagem
De longe se avista/ Bem pertinho desta cidade/ Um monumento erguido/ No mosteiro da felicidade/ Contam os mais velhos/ Que conhecem o seu passado/ Que ali foi uma promessa/ Que alguém deixou gravado/ É nesta linda capela/ É neste pequeno morro/ É onde se venera/ A Senhora do Socorro/ Bem de perto da capelinha/ Têm uma linda paisagem/ Nas águas que ali existe/ Reflete a sua homenagem/ É nesta linda capela/ Gravada em letras se ver/ A homenagem/ Ao seu Divino Poder.
Comenta-se ainda que o Padre João Honório de Melo em sua administração paroquial (1935/1951) determinou a remoção da imagem da Capelinha para a Igreja Matriz, ato que gerou muita polêmica entre os cristãos locais. A cidade ficou em polvorosa.
Nilson Fernandes de Oliveira, filho de Dona Niná, ficou bastante comovido. Este esperancense seria aviador da Cruzeiro do Sul e durante um voo fez escala em Roma, solicitando em uma audiência com o Santo Padre o retorno da imagem ao seu lugar de direito.
O pedido teria sido atendido de imediato pelo Sumo Pontífice. E os devotos da Imaculada Virgem do Bom Conselho teriam acompanhado a recolocação da imagem ao seu lugar de costume. 
Lenda ou não, deste fato nos dá notícia o historiador Martinho Júnior em seu belo trabalho para a Universidade Estadual da Paraíba, em conclusão de sua especialização.
Em 2008 o monumento passou por um intenso processo de restauração. O Monge Beneditino Adriano de Lima, especialista no assunto, trabalhou durante 45 dias naquela obra removendo toda a pintura antiga até chegar na camada original. Ainda foram recuperados o altar-mor e as portas da capela. 
Segundo imagens da época (2008), a Capelinha seria branca; também observei umas fotos antigas, e em todas elas, prevalece o branco na pintura. 
Quando da reforma, o monge pintou as portas de marrom conhaque, supomos que, ao retirar as diversas camadas, tenha-se chegado a essa coloração. Porém, o mais provável é que, quando da construção (1925) tenha-se optado pela madeira envernizada, e com o passar dos anos, foram pintando devido o desbotamento.
A Capelinha recebe visitação de curiosos e turistas que querem conhecer o lugar e sua história, o qual além de tudo possui uma visão privilegiada da cidade. Esta capela pode inclusive ser catalogada como a menor capela do mundo pelo Guiness Book.
Rau Ferreira

Referências:
- PEREIRA, Severino (Nino) Ramos. "Monumento de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro". Antigo site da Prefeitura Municipal de Esperança (www.pmesperanca.com.br), acesso em 13.05.2008.
- ESPERANÇA, Prefeitura Municipal "Monumento está sendo restaurado em Esperança". Informe do antigo site da Prefeitura Municipal de Esperança (www.pmesperanca.com.br), acesso em 13.05.2008.
- PARÓQUIA, Revista Centenário (da). "Monumento de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro". Ed. Jacinto Barbosa. 30 de maio. Esperança/PB: 2008.
- ESPERANÇA, Livro do Município (de). Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.
- HISTÓRIA, Esperança. Site virgulino.com, acesso em 05/06/2007.
- JÚNIOR, Martinho. OLIVEIRA, Maria José (Orientadora). "Obelisco Nossa Senhora do Perpétuo Socorro". Especialização em História do Brasil. UEPB: 2004.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Controvérsia religiosa em Esperança: o desafio de Frei Damião

  A controvérsia religiosa entre Frei Damião de Bozano e o pastor evangélico Synésio Lyra se iniciou no Município de Esperança, quando o frade em uma de suas missões, realizada em março de 1935, incitou o povo a não manter “ transações comerciais ” com os protestantes. O número de evangélicos era bem pequeno, pois a semente do evangelho apenas se iniciou em 1922, quando dois missionários da Igreja Congregacional de Campina Grande se deslocaram até o Sítio Carrasco, fundando uma pequena comunidade, de onde surgiu a 1ª Igreja Congregacional de Esperança. À época os missionários andavam em lombos de burros-mulos, e os irmãos quando queriam participar da ceia do Senhor, enfrentavam à pé os 25 Km que separavam as duas cidades. Em praça pública, na última noite, Damião benzeu rosários, velas e medalhas dos fieis e, para garantir que eles obedecessem a ordem, fizeram juras “ solene à Santíssima Virgem ”. A multidão atendeu prontamente. Ninguém podia vender ou comprar bens dos protes...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Genealogia da família DUARTE, por Graça Meira

  Os nomes dos meus tios avôs maternos, irmãos do meu avô, Manuel Vital Duarte, pai de minha mãe, Maria Duarte Meira. Minha irmã, Magna Celi, morava com os nossos avós maternos em Campina Grande, Manuel Vital Duarte e Porfiria Jesuíno de Lima. O nosso avô, Manuel Vital Duarte dizia pra Magna Celi que tinha 12 irmãos e que desses, apenas três foram mulheres, sendo que duas morreram ainda jovens. Eu e minha irmã, Magna discorríamos sempre sobre os nomes dos nossos tios avôs, que vou colocar aqui como sendo a expressão da verdade, alguns dos quais cheguei eu a conhecer, e outras pessoas de Esperança também. Manuel Vital e Porfiria Jesuíno de Lima moravam em Campina Grande. Eu os conheci demais. Dei muito cafuné na careca do meu avô, e choramos sua morte em 05 de novembro de 1961, aos 72 anos. Vovó Porfiria faleceu em 24 de novembro de 1979, com 93 anos. Era 3 anos mais velha que o meu avô. Nomes dos doze irmãos do meu avô materno, Manuel Vital Duarte, meus tios avôs, e algum...