Pular para o conteúdo principal

A Comarca de Esperança

A história da Justiça em Esperança teve início em 1896 com a criação do 2º Juizado de Paz da antiga Vila “Boa Esperança”, pertencente ao Juizado de Alagoa Nova, da Comarca de Areia; sendo Thomaz Rodrigues de Oliveira o primeiro Juiz de Paz.
E no dia 1º de dezembro de 1925, por força da Lei nº 620, era estabelecido o Termo Municipal e nomeado o Sr. João Marinho da Silva para a função de Juiz Municipal, enquanto Teotônio Cerqueira da Rocha prestava o compromisso de Adjunto de Promotor, coincidindo com a própria emancipação da cidade. Nessa época o judiciário local continuava vinculado à Comarca de Areia.
No dia 19 de novembro de 1929, era publicado o Decreto nº 1.608 da lavra do Sr. Governador do Estado João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. A norma que encontrava amparo no art. 36, §1º, da Constituição Estadual e art. 11 da Lei nº 681/29, “ad referendum” da Assembléia Legislativa, restaurava o Termo Judiciário de Esperança, anexo à Comarca de Areia, revogando as disposições em contrário.
A elevação à categoria de Comarca independente ocorreu em 1940, através do Decreto-lei nº 39, de 10 de abril daquele ano, constituindo-se de Vara Única, e o Dr. Ademar Bezerra Lafayette tomou poesse no cargo de juiz da Comarca.
No ano de 1987, foi criado o Cartório Judicial do 2º Ofício da Comarca de Esperança. A solenidade aconteceu em março do mesmo ano, nas dependências do Forum “Dr. Samuel Duarte” com a presença de diversas autoridades dentre elas o próprio Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Des. Miguel Levino de Oliveira Ramos.
Durante algum tempo, esta unidade judiciária permaneceu como sendo de 1ª Entrância com duas varas. O Dr. Antônio do Amaral assumiu interinamente a 2ª Vara da Comarca cumulando com a primeira, até a chegada do Juiz Titular Dr. Gilson Farias de Araújo, no ano de 1988.
Em 1992 a Comarca foi elevada de 1ª para 2ª Entrância, a única no Brasil com duas Varas. Enquanto que o edifício sede do Forum atual foi inaugurado em 04 de abril de 1998, com as presenças de diversas autoridades e do pároco local, que concedeu as bênçãos eclesiais.
O magistrado que mais tempo exerceu a jurisdição neste segundo ofício foi o Dr. Antonio Leobaldo Monteiro de Melo, superando a marca dos 13 anos.
Atualmente, tem assento na 2ª Vara a Dra. Lua Yamaoka Mariz Maia, que também é Diretora do Forum, sendo o Dr. Jailson Shisue Suassuna o tiular do 1º Cartório.

Os primeiros componentes do judiciário local foram:
- José Pereira Brandão, primeiro Escrivão de Paz (1896);
- Thomaz Rodrigues de Oliveira, primeiro Juiz de Paz;
- João Marinho da Silva – Primeir Juiz Municipal (1925);
- José Irineu Diniz, Partidor e Distribuidor (1925);
- Antonio Francisco Diniz, Contador do Juízo (1925);
- João Clementino de Farias, Tabelião (1925);
- Adjunto de Promotor, Theotonio Cerqueira Rocha (1925);
- Inácio Rodrigues de Oliveira, primeiro Delegado (1926);
- João Gonçalves de Lima, Oficial de Justiça (1926);
- João Baptista Ferreira, Pedro Fernandes Pimenta e Manoel Joaquim da Costa, Inspetores de Quarteirao (1926);
- Sebastião Nicolau da Costa, Avaliador (1931);
- Ademar Lafayette Bezerra, primeiro Juiz da Comarca (1940);
- Gilson Farias de Araújo, primeiro Juiz Titular da 2ª Vara (1988).

No detalhe da foto o edifício atual do Forum.

Rau Ferreira

Fontes:
- Livro do Município de Esperança. João Pessoa – Unigraf: 1985, p. 41;
- Forum “Dr. Samuel Duarte”, Livros de Posses e Compromissos, Ata de Instalação do Termo Judiciário: 1925, p. 01/02;
- Fórum “Dr. Samuel Duarte”, Livro de Posses e Compromissos, Ata de Instalação da 2ª Vara da Comarca: 1987, p. 1/3;
- Jornal “A União”, órgão oficial do Governo do Estado da Paraíba, edição de terça-feira, 19 de novembro de 1929.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Controvérsia religiosa em Esperança: o desafio de Frei Damião

  A controvérsia religiosa entre Frei Damião de Bozano e o pastor evangélico Synésio Lyra se iniciou no Município de Esperança, quando o frade em uma de suas missões, realizada em março de 1935, incitou o povo a não manter “ transações comerciais ” com os protestantes. O número de evangélicos era bem pequeno, pois a semente do evangelho apenas se iniciou em 1922, quando dois missionários da Igreja Congregacional de Campina Grande se deslocaram até o Sítio Carrasco, fundando uma pequena comunidade, de onde surgiu a 1ª Igreja Congregacional de Esperança. À época os missionários andavam em lombos de burros-mulos, e os irmãos quando queriam participar da ceia do Senhor, enfrentavam à pé os 25 Km que separavam as duas cidades. Em praça pública, na última noite, Damião benzeu rosários, velas e medalhas dos fieis e, para garantir que eles obedecessem a ordem, fizeram juras “ solene à Santíssima Virgem ”. A multidão atendeu prontamente. Ninguém podia vender ou comprar bens dos protes...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Genealogia da família DUARTE, por Graça Meira

  Os nomes dos meus tios avôs maternos, irmãos do meu avô, Manuel Vital Duarte, pai de minha mãe, Maria Duarte Meira. Minha irmã, Magna Celi, morava com os nossos avós maternos em Campina Grande, Manuel Vital Duarte e Porfiria Jesuíno de Lima. O nosso avô, Manuel Vital Duarte dizia pra Magna Celi que tinha 12 irmãos e que desses, apenas três foram mulheres, sendo que duas morreram ainda jovens. Eu e minha irmã, Magna discorríamos sempre sobre os nomes dos nossos tios avôs, que vou colocar aqui como sendo a expressão da verdade, alguns dos quais cheguei eu a conhecer, e outras pessoas de Esperança também. Manuel Vital e Porfiria Jesuíno de Lima moravam em Campina Grande. Eu os conheci demais. Dei muito cafuné na careca do meu avô, e choramos sua morte em 05 de novembro de 1961, aos 72 anos. Vovó Porfiria faleceu em 24 de novembro de 1979, com 93 anos. Era 3 anos mais velha que o meu avô. Nomes dos doze irmãos do meu avô materno, Manuel Vital Duarte, meus tios avôs, e algum...