Pular para o conteúdo principal

Hilda Batista

Maria Hilda Batista Soares, Dona Hilda como era mais conhecida, nasceu no dia 28 de novembro de 1924, filha de Francisco Batista Júnior (seu Chiquinho) e de dona Maria da Costa Júnior (Dona Sula), natural de Esperança, cuja família apesar de humilde era muito tradicional, tendo ela se destacado como grande cantora e realizadora dos eventos sociais de nossa Cidade.
Sua intimidade com a música começou muito cedo. Em uma determinada época, por questões políticas, seu pai teve que residir em Campina Grande e a pequena Hilda foi estudar na Escola das Damas, onde teve seus primeiros contatos com o canto orfeônico e litúrgico, provavelmente aos 12 anos de idade.
Ali apredeu as técnicas vocais e apesar de não estudar partitura desenvolveu com bastante habilidade o seu dom, dedicando sua voz em louvor a Deus. “Meu canto ao Senhor é uma oração”, dizia.
Tempos depois a família retornou a cidade de Esperança e em 1942 ela fundou a Escola Cantório “Sagrado Coração”, cujo coral fez história e existiu durante 12 anos, animando as festividades locais e as missas da Igreja Matriz.
Na vida profissional trabalhou por cerca de 40 anos na Escola Estadual “Irineo Joffily”, onde exerceu as funções de Inspetora de aluns e depois lecionou alfabetização nas séries iniciais.
Por ocasião do afastmento da Diretora Aluce Duarte por questões de saúde, assumiu a direção daquele educandário, oportunidade em que encaminhou ao Governo do Estado seis pedidos de efetivação de funcionários, sendo atendida em todos eles.
Como promotora social organizou os mais diversos eventos festivos e sociais da época, a exemplo da festa das baianas, os cordões e desfiles de 7 de setembro.
Apesar de ser uma pessoa de pouca instrução tinha uma visão ampla da nossa realidade e das instituições, de modo que se relacionava com pessoas de todos os níveis, professores, doutores etc., com uma grande desenvoltura e capacidade de argumentação, sendo por isso muito elogiada.
Preocupava-se com com o futuro dos jovens, a violência e a acirrada luta no campo de trabalho, sempre aconselhando: “Seja juventude que vala a pena e não juventude que dê trabalho”.
Considerava que a sociedade antiga era mais sadia, havia mais coleguismo e os laços de amizades eram mais fortes. Católica fervorosa, rezava o terço diariamente.
Era casada com o Sr. Martinho Soares dos Santos e mãe do Martinho Júnior.
Viveu intensamente os anos de ouro da juventude brasileira e participou ativamente da vida religiosa da cidade, dando sua contribuição na formação de muitos jovens e na cultura vocal de Esperança.
Faleceu em 14 de fevereiro de 2009 após haver cumprido com muita honra a sua missão nesta terra.

Rau Ferreira

Fonte:
- Entrevista ao Historiador Martinho Soares dos Santos Júnior, filho da biografada, concedida em 17/07/09;
- Arquivo pessoal, documentos e fotos da família.

Comentários

  1. ahhh me lembro muito da Hilda Batista, muito boa amiga, sempre estava junto da minha mae Nevinha e seus atesanatos, minhas filha aprenderam crochê com elas, hoje elas estao na historia para sempre, saudades.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns por sua louvável e intessante iniciativa de lembrar em seu blog as personalidades amigas da cidade de Esperança, pois uma cidade sem memória é uma cidade sem passado, é como alguém que sofre de amnésia e por tal motivo não pode distinguir quem é amigo ou inimigo. Que o seu blog sirva de inspiração para outras personalidades realizadouras e inteligentes.
    Não contive a íntima e pesoal alegria e satisfação de ver a biografia de minha mãe muito bem escrita pelo amigo Rau.Um sincero agradecimento e abraço!

    Martinho Júnior

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentário! A sua participação é muito importante para a construção de nossa história.

Postagens mais visitadas deste blog

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Controvérsia religiosa em Esperança: o desafio de Frei Damião

  A controvérsia religiosa entre Frei Damião de Bozano e o pastor evangélico Synésio Lyra se iniciou no Município de Esperança, quando o frade em uma de suas missões, realizada em março de 1935, incitou o povo a não manter “ transações comerciais ” com os protestantes. O número de evangélicos era bem pequeno, pois a semente do evangelho apenas se iniciou em 1922, quando dois missionários da Igreja Congregacional de Campina Grande se deslocaram até o Sítio Carrasco, fundando uma pequena comunidade, de onde surgiu a 1ª Igreja Congregacional de Esperança. À época os missionários andavam em lombos de burros-mulos, e os irmãos quando queriam participar da ceia do Senhor, enfrentavam à pé os 25 Km que separavam as duas cidades. Em praça pública, na última noite, Damião benzeu rosários, velas e medalhas dos fieis e, para garantir que eles obedecessem a ordem, fizeram juras “ solene à Santíssima Virgem ”. A multidão atendeu prontamente. Ninguém podia vender ou comprar bens dos protes...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Genealogia da família DUARTE, por Graça Meira

  Os nomes dos meus tios avôs maternos, irmãos do meu avô, Manuel Vital Duarte, pai de minha mãe, Maria Duarte Meira. Minha irmã, Magna Celi, morava com os nossos avós maternos em Campina Grande, Manuel Vital Duarte e Porfiria Jesuíno de Lima. O nosso avô, Manuel Vital Duarte dizia pra Magna Celi que tinha 12 irmãos e que desses, apenas três foram mulheres, sendo que duas morreram ainda jovens. Eu e minha irmã, Magna discorríamos sempre sobre os nomes dos nossos tios avôs, que vou colocar aqui como sendo a expressão da verdade, alguns dos quais cheguei eu a conhecer, e outras pessoas de Esperança também. Manuel Vital e Porfiria Jesuíno de Lima moravam em Campina Grande. Eu os conheci demais. Dei muito cafuné na careca do meu avô, e choramos sua morte em 05 de novembro de 1961, aos 72 anos. Vovó Porfiria faleceu em 24 de novembro de 1979, com 93 anos. Era 3 anos mais velha que o meu avô. Nomes dos doze irmãos do meu avô materno, Manuel Vital Duarte, meus tios avôs, e algum...