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Soneto... visões de um lunático/O segredo


“Badiva” (1997) talvez represente o momento mais inspirado do poeta. É nessa obra editada pela PME em alusão aos 100 anos de nascimento de Silvino Olavo, que se encontra o “Soneto...” dedicado à Belmiro Braga.
Entre muitos, escolhi este poema. Nos seus versos esconde uma vida intensa. Uma vida dedicada à arte.
Belmiro Ferreira Braga – também poeta – morreu em 1937. Em sua homenagem uma cidade mineira foi erigida. Contudo, Silvino vai além... lembrando os amigos Paulo [???], Virgínia [Vitorino] e Mário [de Andrade]. Igualmente mestres, da poesia:

Fez-se, o segredo de Altura
Com Paulo, Virgínia e Mário.

De um passado que lhe parece distante evoca sons e cores d’outrora, porém sem ressentir a sua dor:

Mas... vamos devagarinho! –
Depois acaba o carinho!...
E a dor não principia...

Era o seu modo de ser declamado em versos, aquele que os “artistas de toga” não vislumbravam, tão pouco aceitavam e, a despeito dessa incapacidade de ver o mundo sob esta ótica, classificam de “lunário”.

Modos de ser... Com bravura; -
Na essência do Calvário!...
Artista da toga e da clausura, - ....
Não aceitas este Lunário!....

Sol, assim como Belmiro, participava dos Soirées promovidos na Capital da República e nas cidades onde esta cultura se fazia presente. Eram os “saraus” e encontros literários que reuniam a nata da intelectualidade dos anos 20. Dela já escrevemos.
Ao lembrar esses momentos, comenta o vate que a vida passou depressa... que a noite virou dia..

Tão depressa soprou ao Mar...
Que a gente deve tomar
Só a noite... Pelo Dia!...

E o segredo que se fez, àquela altura, só consultando o dicionário, se descobriria “De Gonçalves a figura”. Nem precisei.
Desvendei o mistério há muito escondido. O Paulo deste poema? Ora, é o Perillo. Que nas páginas da revista “Era Nova” em circulação na Parahyba escrevia sobre o pseudônimo de Paulo Dionizio
Sol o conhecera no Rio, e de lá trouxe o menestrel das letras para trabalhar consigo n’O Jornal. Por aqui lançou um livro de poesias [Canções que a vida me ensinou] e participou de algumas revistas; a sua morte foi pesarosa para Silvino, valendo-lhe nota de jornal e uma carta ao amigo. Tal perda tocara-lhe n’alma.

Rau Ferreira

Referência:
- Soneto... Para Belmiro Braga. Badiva: Poesias inéditas. Marinaldo Francisco de Oliveira (org). Secretaria de Educação e Cultura. Prefeitura de Esperança. Esperança/PB: 1997.


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