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A prisão do palhaço


O circo estava armado já alguns dias na Belo Jardim. A capela ainda não havia sido construída e o terreno era propício. O município de Esperança tinha fama de acolher bem essa trupe de artistas.
As sessões batiam recorde de audiências, todos acorriam para ver as apresentações circenses. A empanada ficava cheia da molecada, senhores e senhoras se acotovelavam para assistir o palhaço, talvez a principal atração.
Numa dessas noites, o bufão tirando os seus apetrechos, após a sua apresentação, entrou no picadeiro e, com um gesto muito sério pediu a atenção do público para fazer um anúncio. Naquele tempo funcionava uma padaria na rua Manoel Rodrigues, próximo a VestBem. O fanfarrão com a cara mais séria possível disse:
- Pessoal eu queria avisar a vocês que agora a pouco na rua Grande aconteceu uma tragédia, uma virada com vítimas...
Antes mesmo que ele pudesse completar a frase a cidade em polvorosa que assistia ao espetáculo saiu correndo.
Foi uma avalanche de gente, um empurra-empurra e derrubada de cadeira, todos queriam saber do acidente e, com isso, algumas pessoas saíram feridas.
Concluindo a frase, disse o humorista:
- É que o padeiro derrubou a travessa do forno e estragou dois “oliado” e um pão doce.
Quem ficou para ouvir não entendeu a piada e a ficha só caiu acho que uns cinco minutos depois. “Brincadeira sem graça”, comentaram.
De fato, tanto é que depois desse episódio o Capitão Morais voltou ao circo para prender o palhaço, que foi solto no dia seguinte após pagar fiança.
Não se conhece o paradeiro do fanfarrão. O circo até voltou para Esperança, mas sem essa personagem. Devo acrescentar, que essa história me foi passada pelo colega Arimatéa, que presenciou esses fatos, os quais transcrevo para registro de nossa história.
No detalhe da fotografia, com trato de Evaldo Brasil, um dos circos montados no terreno onde foi edificada a Capela de N. S. de Aparecida, na Belo Jardim.

Rau Ferreira

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