Esperança contra Canudos

By | 6.1.17 Deixe seu comentário
Antônio Conselheiro. Imagem: Wikipédia
Você já ouviu falar em Canudos? Esse movimento libertário, liderado por Antônio Conselheiro, no interior da Bahia, prometia uma revolução social, com distribuição de terras e socialização dos haveres, numa região dominada pelo polígono da seca; também conhecido “movimento separatista”, chamou a atenção do governo federal, que deslocou tropas do exército para combater os revoltosos nos anos de 1896 e 1897.
Após saírem vencidas, as tropas nacionais, em três expedições, com o apoio de fazendeiros e da igreja, sob forte pressão, conseguiram aplacar aquela comunidade em um verdadeiro massacre, com a morte de 20 mil sertanejos e destruição total do arraial.
Antônio Conselheiro ainda hoje é mistificado no sertão, cuja figura icônica é lembrada em documentários, novelas e filmes como um religioso que antevê o futuro e profere sentenças como: “o sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão”.
Pois bem. Em nossas pesquisas encontramos um telegrama publicado no jorna “A União”, em que o povo de Esperança manifesta seu apoio ao final daquela guerrilha, adiante reproduzida:

“Redação “União”. Povo Esperança dá parabéns acabamento Canudos. Foi muito festejada notícia havendo discurso onde orou Dr. Pedro Assis. Viva a República. Os Habitantes” (A União: 16/10/1897).

A exemplo de tantas outras revoluções, e movimentos separatistas brasileiros, deflagrados no Nordeste, não foi desta vez que a região se tornou independente.
A prospera Vila de Esperança, embora dependente de Alagoa Nova, mantinha uma subdelegacia, a cargo de José Donato de Maria; era sede ainda do 2º Juizado de Paz, na pessoa de Thomaz Rodrigues. José Pereira Brandão – Santos Cacheiro – exercia a função de agente fiscal,  escrivão de paz e professor de instrução primária. Manoel Rodrigues de Oliveira fazia parte do Conselho Municipal em Alagoa Nova e, assim florescia a velha “Banabuyé”, destacando-se de sua cidade-mãe, inclusive nos impostos, cuja arrecadação era a maior.
O seu povo, ao menos ao que parece, mostrava-se ciente dos acontecimentos do cenário nacional, manifestando adesão a esta ou àquela corrente política. A publicação n’A União demonstra esta tenacidade.
Aquele movimento libertário, segundo rumores, tencionava invadir as cidades vizinhas e, rumar para a Capital, para depor o governo republicano, instalando a “nova” monarquia.

Rau Ferreira


Referência:
- A UNIÃO, Jornal. Ano IV, N° 869. Edição de 04 de agosto. Parahyba do Norte: 1896.
- ALVES, Ednaldo. Guarabira – um olhar sobre o passado: 2007.
- FERREIRA, Rau. História da Comarca de Esperança. Memorando n° 005/2012 – DII – Circular de 23 de fevereiro. TJPB. Esperança/PB: 2012.
- LAEMMERT, Almanak. Volume III. Rio de Janeiro/RJ: 1925.
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