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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

Primeira linha de ônibus

O transporte público é uma concessão do Estado para exploração comercial. Nos anos 30, eram poucas as linhas e precárias as estradas. Muitos municípios mantinham “caixas” (contas) para construção, manutenção e abertura de rodagens. A maioria delas era carroçável, ou seja, permitia apenas o trânsito de carroças. A primeira linha de ônibus que se tem notícia em Esperança data de 1932. Trata-se da concessão explorada pela empresa “Auto Viação Parahybana”, pertencente a S. Nogueira. Em janeiro daquele ano, a firma anunciava a inauguração da linha de transporte público via Esperança, com o seguinte itinerário: Campina Grande, Logoa de Roça, Esperança, Lagoas (Remígio), Areia e Várzea Nova. A viação anunciava que os ônibus partiam de “Campina via Alagoa Nova, às 7 horas, e prosseguem viagem à capital, chegando às 12,30 e voltam às 14 horas, um via Areia-Esperança outro Alagoa Nova”. Com “carros novos e confortáveis”, a empresa tinha sede na Praça Álvaro Machado, em João Pessoa, e as informaçõe…

Voto de divergência

Situação e oposição vivem em acirrada briga, cada um querendo defender as cores do seu partido. Nas ruas, nas praças e nos “mourões” o termômetro da política pode ser sentido, mas o palco onde essas experiências se notabilizam é o legislativo-mirim. Aqui como em todo canto, há sempre aquele político que fica “em cima do muro”. Nos anos 60, um liturgo esperancense enviou para a Câmara um projeto de lei instituindo o “voto-misto”. Na justificativa, dizia o edil, muitas vezes o vereador se vê numa posição melindrosa. É que em certos casos o prefeito envia para a Câmara um projeto que, em princípio, pode beneficiar a população, mas as circunstâncias também podem lhe favorecer numa campanha próxima. Neste caso, “a consciência parlamentar não quer votar contra, por reconhecer virtudes, nem quer votar a favor, pela existência dos defeitos. E sempre há matéria em que as circunstâncias não permitem uma definição clara de voto. Como agir então? Aí é que encontra o chamado voto-misto”. Segundo o p…

O ciclo do algodão em Esperança

O ciclo do algodão teve uma grande importância em nosso Município. Aqui o apogeu fazia sentir-se em vários setores, especialmente no agrícola e comercial. Este produto chegou a competir com a própria batatinha, considerada nossa cultura principal. O algodão herbáceo outrora fora denominado de “ouro branco”. Antigamente, “Os algodoeiros frondosos como grandes arbustos, davam boa safra” (Jornal Gazeta, 9/11/1888). O mesmo acontecia em Esperança, cuja produção tinha grande potencial. Nesse tempo havia quatro vapores na cidade de descaroças algodão e prensas para enfardar o produto, de onde seguiam para abastecer os armazéns de Campina Grande. Nessas paragens, foram muitos os que cultivaram a planta que serve entre muitas coisas para o tear, sobremaneira nas décadas de 30/40. Mas a atenção comercial ainda estava voltada para a criação de gado, chamada de a “mercadoria que anda”. O Annuário da Parahyba (1930) registra os seguintes produtores de algodão, os quais possuíam até marca registrada:…

Fabrica de Vinhos Leão do Norte

Fabriquetas de fundo de quintal são comuns em todo lugar. Em geral se obedece a uma receita caseira e com algum conhecimento da mistura se consegue um resultado satisfatório. O nosso município já experimentou várias delas. Quando menino, lembro que na rua José Andrade se fabricava sabão. O produto era vendido na feira e tinha boa aceitação. Perfumes, garrafada e doces tudo isso era comum naquele tempo. Por esses dias uma publicação do “reeditadas” de Evaldo Brasil mereceu um comentário de Odaildo Taveira. Dizia o velho amigo que naquela esquina, entre as ruas Santo Antônio e Joaquim Manoel já funcionava uma fábrica de vinhos. Pois bem. Na oportunidade, firmei o compromisso de contar aquela história. Para tanto fui em busca dos meus arquivos, e encontrei uma entrevista concedida em 2011 por Saro Amâncio. Disse o saudoso esperancense, naquela oportunidade que: “Em Esperança tinha uma fábrica de vinho de Tiago Amorim, que era ali no beco, bebida de caju, jurubeba uma planta medicinal”. O pr…

Faculdade Bacural

O Carnaval de Esperança é sempre muito animado e começa bem antes dos festejos de Momo. Nos dias que antecedem a data comemorativa, já aprecem as primeiras “Ala-ursas” percorrendo a cidade e, na véspera a abertura se faz com o Bloco do Zé Pereira chamando os foliões para a brincadeira. Há uma tradição de blocos, charangas e troças que vem de longe. A primeira representação que se conhece data de 1932, com o “Coronel nas ondas”, que era o grupo freqüentado pela elite esperancense. As sedes carnavalescas foram uma “invenção” bem recente e, dentre umas cem delas que surgem todo ano em prédios e residências alugadas para os brincantes, a que se tem destacado é chamada: Faculdade de Bacural. O nome é em homenagem a um antigo mecânico da cidade (Bacural), já falecido. Localizada na rua João Mendes, oferece um curso intensivo durante os três dias de carnaval. O bacural é um pássaro de asas longas (acinzentadas) e pernas curtas. Seus hábitos são noturnos e não costuma fazer ninhos. Vive em band…

José (Dedé) Patrício de Souza: da Mulatinha para o mundo do cordel

O poeta-repentista deixa sempre um legado inestimável. Com efeito, a poesia popular é cheia de sabedoria e transmite muito conhecimento. Aliás, este ao que parece, foi a sua origem, maquiada que fora pela cultura nordestina, era o meio de comunicação dos sertões. Esperança sempre foi terra de grandes cantadores, a exemplo de Campo Alegre e João Benedito. Neste torrão se reuniam para fazerem a “praça”, nas esquinas do Super Esperança ou da Farmácia de Milena, referências atuais que nos remontam à antiga feira livre. O encordoamento para a viola era vendido na miudeza de seu Patrício Bastos, razão pela qual acorriam para cá muito dos repentistas, que faziam deste município a sua segunda morada. Assim foi com Josué da Cruz, que por um tempo residiu na rua João Mendes. Mas o motivo maior deste pequeno artigo é homenagear o já esquecido Dedé da Mulatinha. Batizado José Patrício de Souza, e com a alcunha de “Dedé”, o poeta nasceu no Sítio Mulatinha, zona rural de Esperança, por volta de 1914…

Arquitetura da sede "Quero Mais"

Há uma tendência atual de se copiar o que já fora algumas edificações no passado. É o que se chama “falso antigo”. Essa arquitetura vem sendo utilizada em Campina Grande por restaurante e comércio em geral que reproduzem as linhas artísticas dos anos 20/30; também algumas residências da elite busca imitar os desenhos antigos, associado com a mobília que denominam “vintage”. Até agora essa tendência ainda não havia chegado em Esperança. Até agora! Apesar de ainda existirem uns poucos prédios históricos e de ninguém se mobilizar para evitar as recentes destruições em nosso patrimônio, parece-me que o Grupo Afro-cultural “Quero Mais” decidiu fazer diferente. Ao celebrar comodato com a Prefeitura local, que cedeu a antiga garagem para fins de sediar o grupo, - com a descoberta da rua que cinco décadas atrás fora chamada de “Mercantes” -, resolveu o seu adido Marquinhos Pintor promover uma ampla reforma, que inclui fachada e interior do edifício. Nesse aspecto, adotou a ideologia do “falso an…

A poesia está de luto: morre Toinho da Mulatinha

A poesia está de luto pela perda do nosso poeta popular Toinho da Mulatinha. Nascido Antonio Patrício aos 22 de outubro de 1927, irmão do famoso Dedé da Mulatinha (José Patrício) e outros nove irmãos, este agricultor da Mulatinha, município de Esperança/PB, aprendeu apenas as primeiras letras do ABC. No entanto, estas lhe foram suficientes para ganhar o mundo e a fama, e em especial, a cultura popular. Começou a cantar coco em 1940 e em 45 já publicava seu primeiro cordel: “A Viagem Sagrada”, seguindo-se outros oitenta e tantos títulos. Pai de dez filhos, não obteve o retorno do bem que fez a cultura popular, mas guarda no seu âmago as lembranças das viagens que fez pelo Brasil com seu irmão Dedé. O cordelista era diabético e apresentava outros problemas de saúde. Recluso há algum tempo, sua última aparição em público foi para receber uma homenagem do Museu dos Três Pandeiros, em Campina Grande. Na oportunidade, foi gravada uma mídia que ficou registrada naquela casa de memória, fazendo …

53 Anos do Sindicato Rural de Esperança (por João de Patrício)

No início da década de 60 (sessenta), o Brasil foi sacudido pelos grandes movimentos das "LIGAS CAMPONESAS", movimentos esses que abalaram a estrutura do governo federal, no sentido de que fosse instituída a reforma agrária. Esse movimento culminou com a derrubada do então presidente João Goulart. Essa fase do trabalhador brasileiro forçou a criação e instituição de sindicatos, com o intuito de organizar, principalmente, a classe trabalhadora rural, que carecia de assistência, de apôio e de solidificação profissional. Em Esperança, não foi diferente. com o incentivo do Pe. Manoel Palmeira da Rocha, foi criado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, cuja entidade foi fundada em 19.04.63, tendo como seu primeiro presidente, o agricultor José Vieira da Silva. Com a força dos agricultores, já que Esperança era um município essencialmente agrícola, conseguiu comprar um prédio antigo, junto da Igreja Matriz, onde funcionou o hotel de seu Zé Lino e, posteriormente, o "Hotel Brasil…

Há trinta anos ruía o nosso maior patrimônio

Há trinta anos uma comitiva do Rotary Clube de Esperança, liderada pelo ex-magistrado João de Deus Melo, intercedia junto às autoridades civis para evitar que o nosso maior patrimônio viesse a ruir. O imóvel nº 26 da rua Manuel Rodrigues de Oliveira havia sido recém adquirido pelo Bando do Brasil para a construção de uma unidade bancária. A população ansiava para que ali fosse construído um museu ou fosse instalada uma repartição pública, mantidas as características originais da construção. O prédio serviu de residência do primeiro prefeito, e hospedou os presidentes João Suassuna, João Pessoa e Solón de Lucena. Da sua sacada em maio de 1925, o genitor de Ariano assumiu o compromisso de emancipar o Município, sendo ainda palco do efusivo discurso do poeta Silvino Olavo que declamou a frase até hoje conhecida: “Esperança – Lyrio Verde da Borborema”. O incansável pesquisador Jônatas Rodrigues nos repassou uma reportagem do Diário da Borborema em que a matéria foi veiculada. Na época - diz…

Esperança d'outrora

De volta ao tema do passado não tão distante. Já disse que cada geração vê uma Esperança diferente da outra. Assim foi nos anos áureos, onde havia clubes e outras entidades que se destacaram na área social. Em épocas mais recentes, falava-se da Praça da Cultura e sua juventude misantrópica. Contudo, o Município não é formado apenas desta ou daquela instituição. Antes, porém, se destacam as suas pessoas. Nesse aspecto, há em Esperança muitas personalidades, vultos históricos que poderíamos enaltecer. Mas essa não é a nossa intenção, ao menos nesse momento. Gostaria sim, de destacar as pessoas conhecidas e as figuras folclóricas já tão esquecidas. Assim vamos destacar, na educação: Hosana Lopes, Dona Lídia e Regina Lacerda, antigas professoras. No comércio: Joca Aciole, Chico Avelino, Joaquim Virgolino, José Ramalho, Antônio Nogueira, Antônio Cotó, Dogival Costa, seu Irineu, Lino barbeiro, Lita e seu Patrício. As senhoras: Hilda Batista, Júlia Santiago, Neuza Caetano, Militina, Corina C…

Ala-urça e simpáticos

Este é um dos registros mais antigos que se tem do carnaval esperancense. Trata-se do blog "Ala-ursa e seus simpáticos". Não se tem ao certo a data desta imagem, mas supõe-se que seja da década de 50. Esperança ainda tinha seus casarões, dá prá ver que os foliões estão de frente para um comércio de duas portas, no que se imagina ser o centro da cidade. O bloco tinha cerca de 30 componentes, com no mínimo duas Ala-ursas. Diferente do que se vê hoje, a batucada era acompanhado por um tambor, um banjo e um saxofone. Os homens vestiam à caráter: camisa pólo e calça brancas. A máscara da Ala-ursa não era bem feita, mas a sua indumentária estava completa com uma caneca, com que se pediam alguns trocados no melhor estilo cigano, que sempre foi a sua origem. Mas a alegria não estaria completa se não fossem os simpatizantes. Estes que faziam o trajeto eram homens e meninos. Os “Papa-angús de chicote” faziam a segurança do bloco, evitando assim que alguém perturbasse os foliões e dest…

José Laureano

José Laureano nasceu na povoação de Banabuyé, em 27 de novembro de 1884. Era filho do Coronel Caetano Laureano e Anna Laureano do Sacramento. Seu pai influenciava a política local. Estudou na Bahia, onde deixou boas relações de amizade. Quando retornou, por volta de 1901, foi morar em Lagoa do Remígio com o seu genitor, fixando residência. Casou-se com Antônia Laureano dos Santos, com quem teve os seguintes filhos: Arthunísio, Chysólito, Deliffly e Marialvo. Em Remígio, era proprietário da Empresa de Força e Luz, inspetor escolar e dono de uma fábrica de beneficiamento de algodão. No livro de Péricles Vitório (Remígio: Brejos e Carrascais, 1992), há o seguinte registro: “Zé Laureano avançava no comércio, abria novas lojas, se enchia de notas promissórias e emprestava dinheiro debaixo de hipotecas quase insolúveis. (...) Era sem dúvida o homem forte do povoado, para onde trouxe pessoal qualificado, de outras praças adiantadas, para trabalhar com ele, às vezes, cedendo capital de giro e me…
A primeira escola de samba que se tem notícia foi a Pioneiros do Samba. Organizada por Manuel Batista e seu enteado Miguel e que estreou no Carnaval de 1953. Foi a primeira agremiação a admitir mulheres vestidas de calça comprida. Entre seus componentes estavam: Chic e Nena de Cicinato Batista, Didi de Lita e Fernando Valdez. A foto ao lado é de sua primeira apresentação, no carnaval daquele ano. As roupas e o estandarte eram produzidos por Maria do Carmo Lima Batista.

Rau Ferreira