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O ano que o papai Noel não veio

Todos os anos o “bom” velhinho vem para me trazer algo que nem preciso tanto. É uma caixinha com nada dentro ou uma futilidade qualquer. Acho engraçado receber e não sei nem qual a razão. Melhor que o “amigo” oculto, que de oculto nada tem, pois no final todos ficam sabendo (alguns até antes). Nos confraternizamos, trocamos sorrisos, esquecemos as diferenças e é isso o que realmente importa.
Apesar de não estarmos no mesmo barco, e ainda qu’eu seja um pequeno aprendiz, tenha na conta a minha origem. Sei de onde vim e permaneço muito ligado fazendo brotar das pedras um lírio qualquer. Assim a jornada se torna menos pesada e o conselho vale a pena: Não digas nunca mal do teu destino...
Mas voltemos ao decrépito Noel. Esse velho sempre faz das suas, e nesse clima que rodeia dezembro, consegue nos verter alguma lágrima à medida que saldamos dívidas com os nossos pares.
Pois bem. Já desde o ano passado o ancião dava sinais que não estava bem da cuca. Não atendeu os meus pedidos, nem unzinho sequer. Aquele esperado queijo saiu pela culatra e recebi uma assadeira com muita briga.
Esse ano foi bem pior. Esqueceu de me dar um abraço, aperto de mão ou mesmo aquele “muito obrigado”. Estranho, né?!
Olha Noel, fui um bom menino. Me comportei legal. Fiz todas as tarefas com zelo e empenho. Cometi alguns erros, é verdade. Mas nada que não tivesse conserto. Não posso explicar o inexplicável. Apenas dei o melhor de mim, mas parece que não foi o bastante.
Este ano você me esqueceu! O meu Natal será pobre como o de Jesus. Quem sabe esse não seja o meu presente: aprender uma lição valiosa para a vida. Não acredito mais em você Papai Noel, contudo lhe desejo um feliz natal!

Rau Ferreira


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