Histórias de Ovn's (Parte IV)

By | 19.2.15 Deixe seu comentário
Por Júlio César (*)


Bola de eletricidade torna-se um Ovni

Em 1987, talvez um ou dois meses antes de voltar definitivamente a residir em Campina Grande, fui testemunha de um fenômeno tão raro que nem mesmo a ciência atual ainda conseguiu explicar exatamente o que é. Sabe-se apenas que é um fenômeno que tem a eletricidade como causa. Porém, seu avistamento em Esperança gerou uma série de comentários sobre o avistamento de um disco voador em plena luz do dia, ou, foi o que todos imaginaram.
Sempre nos finais da tarde minha mãe me dava a missão de ir comprar o pão para o jantar, mas como residíamos na parte final da Rua Antenor Navarro e a padaria mais próxima ficava praticamente no inicio, já nas proximidades do posto de gasolina, eu admito que particularmente ficava muito chateado em ir comprar o pão, principalmente se o dia estivesse chuvoso.
Neste dia, recebi a missão de ir comprar o pão, havia caindo uma forte chuva na cidade e embora não estivesse mais chovendo, o frio era grande e os relâmpagos faziam a festa no céu, fora os gritos dos trovões. Ao chegar à esquina anterior a padaria, fui surpreendido com uma bola de luz forte um pouco maior que duas bolas de futebol juntas. Todos na rua pararam para ver aquele objeto que simplesmente seguiu todo o trajeto da rua do inicio até o fim, numa altura equivalente aos postes de eletricidade. Atrás da esfera, saiam alguns relâmpagos azulados que parecia fogo, como se aquilo tivesse uma turbina a jato por trás. Foi surpreendente, pois apareceu do nada e do nada sumiu.
Era por volta de umas 16 ou 17h e as luzes dos postes, por causa do tempo nublado, já estavam acessas, mas, por onde a esfera passava faltava energia e as luzes apagavam ficando apenas ela em destaque iluminando tudo.
Lembro-me que foi um comentário grande em torno da padaria e na própria rua. Muita gente falando no disco voador que passou pela cidade queimando as luzes dos postes.
Fiquei ansioso para comprar logo o pão e ir correndo para casa falar para minha família e meus amigos do estranho objeto visto.  Era gente falando sobre o “disco” e ao chegar em casa, soube que minha família não tinha testemunhado nada, mas, meus vizinhos, em especial seu Joca do bar falava que o “disco voador” tinha simplesmente apagado poucos metros depois do bar dele.
Aquele “disco” foi assunto para uma semana inteira entre os colegas, já a beata da rua, dizia que foi um anjo que passou e que ele tinha vindo avisar sobre a chegada da santa.
Bem, hoje sei que o que todos testemunharam na época foi um raríssimo globo de eletricidade ou relâmpago globular, causado por uma descarga, possivelmente concentrada, de energia e que muitos até atribuem ser plasma. O fato é que acabei fazendo parte do seleto grupo de pessoas que conseguiu testemunhar esse fenômeno que depois de explicado perdeu o brilho e caiu no esquecimento. Neste caso, o povo preferia que fosse realmente um disco voador. No meu caso, a visão me rendeu umas chineladas, pois na correria para chegar em casa acabei perdendo o troco do pão, que era também o dinheiro de comprar o leite.

Por Júlio César (*)


(*) Cartunista e pesquisador, atualmente desenvolve um projeto que finalizará em 2014 com a publicação de um livro sobre o futebol paraibano.
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