Pular para o conteúdo principal

Histórias de Ovn's (Parte IV)

Por Júlio César (*)


Bola de eletricidade torna-se um Ovni

Em 1987, talvez um ou dois meses antes de voltar definitivamente a residir em Campina Grande, fui testemunha de um fenômeno tão raro que nem mesmo a ciência atual ainda conseguiu explicar exatamente o que é. Sabe-se apenas que é um fenômeno que tem a eletricidade como causa. Porém, seu avistamento em Esperança gerou uma série de comentários sobre o avistamento de um disco voador em plena luz do dia, ou, foi o que todos imaginaram.
Sempre nos finais da tarde minha mãe me dava a missão de ir comprar o pão para o jantar, mas como residíamos na parte final da Rua Antenor Navarro e a padaria mais próxima ficava praticamente no inicio, já nas proximidades do posto de gasolina, eu admito que particularmente ficava muito chateado em ir comprar o pão, principalmente se o dia estivesse chuvoso.
Neste dia, recebi a missão de ir comprar o pão, havia caindo uma forte chuva na cidade e embora não estivesse mais chovendo, o frio era grande e os relâmpagos faziam a festa no céu, fora os gritos dos trovões. Ao chegar à esquina anterior a padaria, fui surpreendido com uma bola de luz forte um pouco maior que duas bolas de futebol juntas. Todos na rua pararam para ver aquele objeto que simplesmente seguiu todo o trajeto da rua do inicio até o fim, numa altura equivalente aos postes de eletricidade. Atrás da esfera, saiam alguns relâmpagos azulados que parecia fogo, como se aquilo tivesse uma turbina a jato por trás. Foi surpreendente, pois apareceu do nada e do nada sumiu.
Era por volta de umas 16 ou 17h e as luzes dos postes, por causa do tempo nublado, já estavam acessas, mas, por onde a esfera passava faltava energia e as luzes apagavam ficando apenas ela em destaque iluminando tudo.
Lembro-me que foi um comentário grande em torno da padaria e na própria rua. Muita gente falando no disco voador que passou pela cidade queimando as luzes dos postes.
Fiquei ansioso para comprar logo o pão e ir correndo para casa falar para minha família e meus amigos do estranho objeto visto.  Era gente falando sobre o “disco” e ao chegar em casa, soube que minha família não tinha testemunhado nada, mas, meus vizinhos, em especial seu Joca do bar falava que o “disco voador” tinha simplesmente apagado poucos metros depois do bar dele.
Aquele “disco” foi assunto para uma semana inteira entre os colegas, já a beata da rua, dizia que foi um anjo que passou e que ele tinha vindo avisar sobre a chegada da santa.
Bem, hoje sei que o que todos testemunharam na época foi um raríssimo globo de eletricidade ou relâmpago globular, causado por uma descarga, possivelmente concentrada, de energia e que muitos até atribuem ser plasma. O fato é que acabei fazendo parte do seleto grupo de pessoas que conseguiu testemunhar esse fenômeno que depois de explicado perdeu o brilho e caiu no esquecimento. Neste caso, o povo preferia que fosse realmente um disco voador. No meu caso, a visão me rendeu umas chineladas, pois na correria para chegar em casa acabei perdendo o troco do pão, que era também o dinheiro de comprar o leite.

Por Júlio César (*)


(*) Cartunista e pesquisador, atualmente desenvolve um projeto que finalizará em 2014 com a publicação de um livro sobre o futebol paraibano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…