Pular para o conteúdo principal

Cordel de Evaldo Brasil

A liberdade do Homem-nu
__________________________________________________


I
Ainda circula entre nós
De narinas empinadas
O pioneiro Homem-nu
De aventuras afamadas.
Teria sido, mas já não é,
Uma criatura só, sem fé,
Ou se afigurava do nada?

II
Teria sido uma doença ou
Uma aposta entre amigos?
Ou mesmo falta de crença
Que alimentou tal perigo?
Seria a ausência dos seus?
Algo sem perdão de Deus?
Lobisomem ou papa-figo?

III
Teria sido uma sodomia
Ou somente vadiagem?
O fruto da esquizofrenia
Ou apenas molecagem?
Por não segurar impulso
Por se meter no incurso
Em rumo de libertinagem?

IV
Teve quem visse e corresse
Temendo um ataque voraz
Teve quem visse e calasse
Ante a ameaça do rapaz.
Mas eis que a luz acendeu
A cidade inteira aprendeu
Todos ficariam em paz.

V
Nos tempos de falta de luz
Nunca faltava imaginação
As estórias de Trancoso
E aquelas de assombração
Circulavam em sítios e ruas
Como se fossem ninfas nuas
Entre o lúdico e a perversão.

VI
Por diversos tipos e tempos
Assim se renova essa estória,
Como por alumbramento,
Sem deixar fama ou glória,
Inspiração, medo secreto,
Desejo sombrio, concreto,
Nem certezas na memória.

VII
Vai-se enterrar numa cova
O que não virou prisão?
Ou já se dá por remido
Diante da programação?
O mito morre, superado,
Pouco ou nada é falado.
São tempos de televisão.
___________________
• Extra •
Está aí, contada uma estória,
Baseada em alguns fatos reais
Resgatados no fio da memória
Apelando que não mora jamais.
Se alguém conhecer outro fato
Isso pode gerar um novo relato
Ler e rir são melhor, quanto mais.


_______________________________
Evaldo Pedro Brasil da Costa

(21 de Dezembro de 2007)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…