Cordel de Evaldo Brasil

By | 18.2.15 Deixe seu comentário
A liberdade do Homem-nu
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I
Ainda circula entre nós
De narinas empinadas
O pioneiro Homem-nu
De aventuras afamadas.
Teria sido, mas já não é,
Uma criatura só, sem fé,
Ou se afigurava do nada?

II
Teria sido uma doença ou
Uma aposta entre amigos?
Ou mesmo falta de crença
Que alimentou tal perigo?
Seria a ausência dos seus?
Algo sem perdão de Deus?
Lobisomem ou papa-figo?

III
Teria sido uma sodomia
Ou somente vadiagem?
O fruto da esquizofrenia
Ou apenas molecagem?
Por não segurar impulso
Por se meter no incurso
Em rumo de libertinagem?

IV
Teve quem visse e corresse
Temendo um ataque voraz
Teve quem visse e calasse
Ante a ameaça do rapaz.
Mas eis que a luz acendeu
A cidade inteira aprendeu
Todos ficariam em paz.

V
Nos tempos de falta de luz
Nunca faltava imaginação
As estórias de Trancoso
E aquelas de assombração
Circulavam em sítios e ruas
Como se fossem ninfas nuas
Entre o lúdico e a perversão.

VI
Por diversos tipos e tempos
Assim se renova essa estória,
Como por alumbramento,
Sem deixar fama ou glória,
Inspiração, medo secreto,
Desejo sombrio, concreto,
Nem certezas na memória.

VII
Vai-se enterrar numa cova
O que não virou prisão?
Ou já se dá por remido
Diante da programação?
O mito morre, superado,
Pouco ou nada é falado.
São tempos de televisão.
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• Extra •
Está aí, contada uma estória,
Baseada em alguns fatos reais
Resgatados no fio da memória
Apelando que não mora jamais.
Se alguém conhecer outro fato
Isso pode gerar um novo relato
Ler e rir são melhor, quanto mais.


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Evaldo Pedro Brasil da Costa

(21 de Dezembro de 2007)
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