Pular para o conteúdo principal

Adversidades, poema de Adriano Vital

Enquanto você pensa.
Eu ajo.
Enquanto você rir,
Eu choro.
Enquanto você grita,
Eu calo.
E quando você cala,
Imploro.

Que há de comum entre nós?

Se se amam nossas almas,
Nossos corpos se odeiam.
E juntos não termos sequer um segundo,
Que dirá a eternidade!
E não teremos nada um com o outro,
Exceto adversidades.

E seremos luz...
E seremos sombras...
Do amor eu semeio o mar,
E do ódio você semeia as ondas.

Vital Carvalho*

*Pseudônimo de Adriano Homero Vital Pereira

AUTOCRÍTICA

A nossa hipocrisia
De condenar o que fazemos,
É como a capacidade
De mentir, que sempre temos.

Somos todos humanos, desumanos...
Ridículos e prepotentes.
Muitos de nós somos vazios, belos
Fartos e carentes.

Esse nosso egoísmo
De só pensarmos em nós mesmos
Nos torna sempre incapazes
De notar os nossos erros.

Somos todos tão medrosos,
Medíocres e insolentes
Muitos de nós somos tristes
Problemáticos e incoerentes.

Essa estúpida vergonha
Que sentimos de alguém
Revela toda uma fraqueza
Que na alma a gente tem

Somos todos tão feios
Vergonhosos e inseguros
Muitos de nós somos podres
Fétidos e impuros

Somos todos assim...
Nos dizemos diferentes
Mas somos todos normais
Pra tudo fazemos bem pouco
E sempre queremos mais.

Vital Carvalho*


(*Pseudônimo de Adriano Homero Vital Pereira)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…