Pular para o conteúdo principal

1949: Explosão da fábrica de fogos (Parte II)

Há 64 anos um fato estarrecedor ocorria em Esperança. Uma grande explosão derrubou casas, provocou mortes e pânico na cidade. O fato foi veiculado em jornais da Paraíba e do Rio de Janeiro. O sinistro aconteceu por volta das sete horas do dia 22 de abril de 1949, na rua São Sebastião, onde funcionava uma pequena industria de fogos de artifícios.
Em conseqüência deste desastre, nove pessoas perderam a vida e outras sete ficaram feridas. Seis casas vieram a baixo e outras trinta e quatro ficaram prejudicadas desabrigando muitas famílias. O proprietário José Francisco da Silva – que não se encontrava no momento – ao regressar sofreu um choque traumático.
Entre as vítimas fatais estavam a esposa do Sr. José e dois filhos, enquanto dois outros e um funcionário sofreram ferimentos graves.
O governador do Estado ordenou que o Chefe de Polícia e o diretor do Departamento de Saúde viessem imediatamente à Esperança para socorrer os vitimados. A LBV e a Cruz Vermelha também prestaram assistência.
Em matéria de capa, o Diário Carioca assim reportou:

Essas pessoas tratarão dos feridos e procurarão dar abrigo às inúmeras famílias cujas casas foram destruídas. Cerca de cem pessoas estão alojadas na Escola Paroquial e numa incipiente construção que futuramente será o ginásio da cidade” (Ano XXII, N° 6.391).

João Delfino Gomes – um ancião que residia nas imediações – relatou que sua filha costumava entregar leite na casa de seu Tiano:

Minha filha tinha saído para entregar o leite na casa de seu Tiano quando ouvi o barulho fiquei assustado e fui atrás dela mas quando explodiu ela tinha acabado de entrar na casa de seu Tiano; foi uma coisa horrível, era pedaço de gene pra tudo quanto era canto” (FERREIRA: 2011, p. 46).

Antonio Torres que era menino na época, lembra que residia na rua do Sertão em uma casa na balaustrada, e comenta que o estrondo foi enorme, pessoas saíam de suas casas atordoadas sem saber o que acontecia.
Houve ainda inúmeras ações solidárias, com participação do Juiz de Direito Dr. Luiz Gomes de Araújo e do Padre João Honório de Melo.
Nesse dia os alunos foram dispensados de suas aulas.

Rau Ferreira

Referência:
- A UNIÃO, Jornal. Estado da Paraíba. Edição de 23 de abril. João Pessoa/PB: 1949.
- DIÁRIO CARIOCA, Jornal. Ano XXII, N° 6.391. Edição de 29 de abril. Rio de Janeiro/RJ: 1949.

- FERREIRA, RAU. João Benedito: O cantador de Esperança. Edições Banabuyé. Esperança/PB: 2011.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…