Entrevista: Antônio Viturino

By | 8.12.14 Deixe seu comentário

Antônio Viturino, conhecido por “Moleque” é uma das pessoas mais simpáticas e conhecidas da nossa cidade. No auge de seus 77 anos, casado com dona Maria de Souza Viturino e pai de cinco filhos (Galba, Marquinhos, Dalvina, França e Raimundo) - de sapateiro a jogador de futebol e músico, fez de tudo um pouco na sua vida.
Começou a trabalhar muito cedo, aos doze anos de idade. A profissão de sapateiro quem lhe ensinou foi Toinho Leiteiro, ofício que ainda hoje exerce todo sábado na praça da rua Manuel Jesuíno, por trás do Poliedro Hotel no centro de Esperança.
Neste ponto está há mais de 40 anos, consertando sapatos, pregando solas e dando aquele brilho. O zelo é tanto que os calçados nas mãos de Molelque parecem novos. Mas só trabalha até as onze horas do dia. “Meu horário é especial!”, diz todo satisfeito.
Seu Antonio lembra das antigas oficinas que empregavam muitos artesões na cidade. As sapatarias de Joaquim Galdino, Benedito e Michelo, eram as mais equipadas. Na época esta era a principal atividade do município, daqui saiam sapatos para Araruna, Cacimba de Dentro e Alagoa Grande. Na segunda-feira os sapateiros costumavam se vestir de branco e festejar a sua tradicional folga.
“Trabalhei com Michelo na rua de Areia e Joaquim Galdino aqui mesmo quando este beco era mais estreiro. A segunda para nós era dia de São Sapateiro, ninguém trabalhava, passávamos o dia ouvindo música e tomando umas pela cidade”, comentou.
Nas chuteiras ele dá um trato todo especial, talvez lembrando os bons tempos do antigo “Campo de Lagoa” quando o América ainda era cercado de aveloz: “A madeira, quem deu, foi Sindulfo Alcoforado, o major da Maniçoba que era cunhado de seu Edmilson Nicolau. E nós fomos buscar lá no sítio”.
Moleque jogou no América de Zé Ramalho e no Santa Cruz de Gino como volante, e atuou na equipe de Humberto de Michelo o que lhe trás grandes recordações. Foi dele o gol de empate no final do segundo tempo na partida que o “Mequinha” disputou contra o Itabaiana, que terminou 2 a 2.
Mas na sua opinião um dos melhores resultados foi o score de 2 x 1 do América contra o Ingá de Bacamarte, time do maestro José Alves.
Apesar de aposentado, Moleque ainda toca pratos na Filarmônica 1º de Dezembro, sendo um dos músicos mais antigos da banda. Nesses 37 anos em que participa fez diversas apresentações pelo Estado, colecionando juntamente com os demais integrantes as seguintes colocações: 1º Lugar em João Pessoa; segundo em Bananeiras e terceiro na cidade de Areia.
Por todas essas qualidades seu Antonio Viturino é merecedor desta nossa singela homenagem; um homem de fibra que vive do seu trabalho e para sua família, e que apesar das dificuldades enfrentadas não se deixa abater.

Rau Ferreira

Fonte:

- Antonio Viturino. Entrevista concedida em 16/10/2010, às 10h30m.
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