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Esperança: Rua da Gameleira

A “Gazeta do Sertão” - folhetim editado em Campina de 1888 à 1889 - veiculava a existência de uma indústria de fumo em Esperança, denominada de “Fábrica Progresso”. A mesma estava sediada na rua da Gameleira, n° 35. O empreendimento pertencia ao cidadão Austrieliano Cicinato Cabral de Vasconcelos.
Mas existiu realmente uma “Rua da Gameleira” em Esperança?
Na busca por uma resposta indagamos ao amigo Rubens, carteiro em nosso município há trinta anos e que conhece de cor e salteado ruas, vielas e becos da cidade. Em sua longa experiência, este afirmou desconhecer a artéria. Todavia, não descartou por inteiro e indicou dona Celita do Cartório, que poderia ter visto algo em alguma escritura antiga.
A tabeliã disse não lembrar, e pediu-nos um tempo para verificar em livros antigos. Neste ínterim, procuramos o historiador Gildo Santiago que nos informou de uma antiga gameleira que havia na Beleza dos Campos, referindo-se aquela rua como sendo a da “gameleira”, assim como as ruas mais conhecidas: a rua do Sertão, por ser caminho do sertão; rua do Boi, pois passavam por ela as boiadas; rua de Areia, caminho para o Brejo d’Areia etc.
Estava difícil de acreditar, já que os relatos faziam menção a uma única gameleira na região, que era a famosa árvore de Areia.
Pois bem. Chegamos até a duvidar do jornal de Jóffily, quando dizia que a região de Esperança possuía árvores e animais enormes; até que Epaminondas Câmara – em suas reminiscência de Esperança – nos trouxe o caso do terrível Manoel Pelado, um acaba feira que dizia não ter medo de ninguém, e que viveu no início do Século XIX. Este residia “Debaixo da gameleira, em frente a casa de seu Zezé”.
Epaminondas, esperancense de escol, escritor e intelectual, não colocaria em seu artigo algo impensado, muito menos inexistente. E somando-se as evidências anteriores, chegamos a conclusão inefável que existia sim, em Esperança, uma RUA DA GAMELEIRA.

Rau Ferreira


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