Pular para o conteúdo principal

Maria Beleza*

Maria Beleza, cordel de Evaldo Brasil
Esperança era uma cidade que crescia no comércio existiam várias lojas de tecido nos anos 60, em uma dessas lojas trabalhava na loja de seu tio Manuel Cavalcante, uma linda jovem estudante conceituada na cidade de Esperança, membro de uma família católica tradicional e de classe média, Maria tinha um sonho de encontrar o seu príncipe encantado. Um dia, chegou um viajante, vendedor de tecido, e Maria quando avistou o jovem bem vestido de paletó e gravata se apaixonou por ele. Ele era gentil, tinha um bom papo, além de tudo inteligente e irresistível. Ela se apaixonou e mergulhou de cabeça, afinal de contas, porque não confiar nesse namoro que tinha tudo pra dar certo e parece um conto de fadas? Até que um dia, quando ela já estava completamente envolvida, ele prometeu o céu e a terra dizendo que Maria esperasse que ele casava  com ela. Ele desapareceu. O rapaz deu o conto do vigário. Os anos se passaram e, talvez tenha caído nos braços de outra, e a pobre Maria a esperar, Maria se fechou no seu quarto entrou em depressão.
Vivia o dia todo deitada em uma rede todos achavam que Maria ia morrer, mas Maria surpreende a todos, e vem toda linda, bem vestida, toda maquiada, tomava banho de lavanda com sabonete líquido e leite de rosas diariamente para rejuvenescer.
Maria colocou o retrato do seu amado numa caixinha de presente, até que o sol por pirraça invadiu a vidraça e o retrato dele desbotou. Passaram-se anos e anos, mas o mistério permaneceu. O rapaz nunca apareceu infelizmente Maria chegou a velhice, sempre linda e alegre a esperar. Maria faleceu com o nome de “A pequenina flor brejeira” e também ficou conhecida por outro nome: “Maria Beleza”, pois ela sempre foi bonita e se vestia bem a espera do seu príncipe encantado e hoje ela vive lá no céu.
Bem pertinho de nosso senhor as últimas lembranças de Maria que restou foram sua caixinha e seus sapatos.

Jailson de Andrade*

(*) Originalmente publicado em: http://www.esperancadeouro.com, em 25/01/2013.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opor àque…

Boato de jornal

A festa da padroeira de Esperança podia ser vista de diversos ângulos: a homenagem que se presta a santa, a celebração de mais um ano com a liturgia do Bom Conselho, o pastoril com suas donzelas e o pavilhão onde se amealhava donativos através do leilão de pratos típicos. Nesse contexto, sempre existiu, o jornalzinho de festa, produzido pelos mais letrados da comunidade, veiculando fofocas, disse-me-disse e outras particularidades da nossa gente. Na vanguarda, temos “A Seta” (1928) de Tancredo Carvalho. Podemos citar, ainda, o “Gillette” (1937) de Sebastião Lima e Paulo Coêlho, que se perpetuou com Zé Coêlho e sua filha Vitória Régia. Pois bem. Nos anos 40 surgiu “O Boato”, com direção de Eleazar Patrício e gerência de João de Andrade Melo, que se denominava “Órgão da Festa de N. S. do Bom Conselho”. Impresso na tipografia S. João, de João Andrade, seu primeiro número circulou em janeiro de 1941, com os quadros: Verdades & Mentiras, Ontem e Flores Bela. Com versinhos, notícias fant…

Passagem da Imagem Peregrina do Carmo (1951)

A Paróquia do Bom Conselho, no Município de Esperança (PB), recebeu e hospedou em 1951, a embaixada cívico-religiosa em preparação ao VII Centenário do Escapulário do Carmo. O Padre Zé Coutinho, filho da terra, e Carmelita devoto, buscou meios para desviar a peregrinação até Esperança. E quem negaria um pedido de Padre Zé? A Virgem peregrina chegou por volta das 13 horas, do dia 11 de setembro, acompanhada pelos reverendos padres Cônego José Coutinho, Pedro Serrão e Cristovam Ribeiro, este último vigário de Campina Grande; e de algumas irmãs carmelitas. A imagem trazia a “mensagem de paz, amor e benção de N. Senhora a todos os cristãos, suplicando pela pátria”, combatendo os “inimigos da pátria e da humanidade, uma vitória para Cristo e à Igreja”. Cerca de dez mil fiéis aguardava no pátio da matriz, sendo recepcionada com grande galhardia. O vigário da Paróquia fez a saudação às 17 horas, com a presença de autoridades locais e classes religiosas, sob a Presidência do Revmo. Frei João Bo…