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Esperança: Memórias do Cine S. José*

Por Júlio César (*)

Cine São José: década de 80
Há uma série de TV chamada “todo mundo odeia o Cris” que relata a vida de um jovem garoto na pré-adolescência dos Estados Unidos no ano de 1984. Em alguns casos, a série consegue passar um comportamento que me parece ser generalizado daquela geração e acaba me levando a Esperança dos primórdios dos anos 80.
Fora as partidas do América que animavam as tardes do domingo a outra opção de lazer da cidade era assistir algum filme no Cine São José. Havia as matinés da tarde que às vezes disputava público com os jogos de futebol e havia as secções noturnas para quem não quisesse ficam sentado no calçadão à noite. O Cine São José não vivenciava mais seus famosos anos de glória as películas se revezavam em filmes de Faroeste, Bruce Lee, Shaolin, Punhos de Ferro, Chaplin ou algum filme semi-pornô brasileiro. As vezes um filme ficava em cartaz quase um mês com público praticamente zero para assisti-lo e isso não ajudava muito a melhorar o cinema, pois a garotada logo “abusava” do filme e não pisava mais no cinema.
A coisa para os lados do São José andava tão precária que na necessidade de dinheiro o pessoal já nem levava tanto em conta a questão de censura dos filmes e muito garoto se aproveitava dessa fase frágil da antiga casa para cometer seus delitos de adolescente.
Assisti muitos filmes de Bruce Lee naquela tela ao lado da turma e havia um colega que era fã de Punhos de Ferro de um jeito intenso, que protagonizou ao meu entender, a criação do primeiro Cosplay (imitação de personagem) da Paraíba, quando apareceu para assistir o filme praticamente vestido como o personagem, para motivo de gargalhadas e no mínimo uma semana de piadas dos colegas. Eram filmes violentos com muita pancada e sangue e alguns com censura para 18 anos, não por haver cenas mais picantes, mas por causa da intensidade das cenas de sangue. Mesmo assim, ninguém saia depois querendo bater ou matar ninguém ou muito menos reproduzir aquelas cenas na vida real, como supostamente acontece hoje em dia.
Um dia voltei para Campina Grande para passar uma semana na casa de meu tio e quando retornei soube que o cine São José tinha fechado definitivamente suas portas e não deu outra, foi uma questão de tempo para vê-lo cair para dar lugar à progressiva agência do Banco do Brasil.

Por Júlio César (*)


(*) Cartunista e pesquisador, atualmente desenvolve um projeto que finalizará em 2014 com a publicação de um livro sobre o futebol paraibano.

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