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A voz livre de Esperança

A rádio comunicação também marcou época em nossa cidade, nas vozes de Ernani Santos e Pedoca.
Em 1952 Esperança se resumia a poucas ruas, onde se instalou os projetores de som do “Serviço de Alto Falante Voz Livre de Esperança”, espalhados num limite de 500 metros para uma melhor recepção. Era a rádio cultura que, em certa época, chegou a incomodar o regime militar. O seu proprietário, Ernani Santos, em entrevista concedida ao jornalista Jacinto Barbosa1 para o site virgulino.com, relatou que se lia “notícias da UDN, do PSB e do Partido Comunista. Mas o que não agradava aos homens tinha que ser descartado”, fato esse que certa vez rendeu o recolhimento dos equipamentos pelo exército brasileiro, sob a alegação de ser um “veículo comunista”.
Sua ousadia era tanto que em 1959 chegou a criar um programa de auditório, onde se reunia os artistas da terra, tais como: Euclídes Rodrigues (seresteiro e violinista) e os românticos Pepê e Zé Cabugá. Era a chamada “ACY-7”, localizada no início da Rua Epitácio Pessoa (rua do boi) esquina com a Manuel Cabral. Por essa mesma época, a rádio saiu do ar, mas pouco tempo depois voltou a funcionar, agora sob a denominação de “Voz Independente de Esperança”, nos moldes da anterior, cujo acervo contava com quase 2.500 discos, muitos deles de cera. Por fim, em 1982 a rádio encerrou definitivamente seus serviços. E Ernani se mudou para Areal, onde mantém um mini-mercado na rua central.
Mas ainda hoje essa tradição popular se mantém firme na voz de “Pedoca” (Pedro Barbosa), um discípulo de Ernani, que com o seu serviço de difusora no mercado público informar-nos as promoções de hortifrutigranjeiros, bares de picado, e toca melodiosas canções que já se perderam no tempo. Viva a graça!

Rau Ferreira

Referências:
- Site virgulino.com/. Jornalista: Jacinto Barbosa;

- Revista “Esperança 82 Anos”, Ed. Jacinto Barbosa, 2007 – p. 19/20.

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