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"Esperança - Lyrio Verde da Borborema - terra de juventude e de fé"
(Silvino Olavo)

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4 de janeiro de 2012

Festa do Bom Conselho


A Padroeira de Esperança

Reportagem Especial


Esperança foi erigida sob a invocação da Virgem do Bom Conselho. A sua Paróquia, criada em 1908, tradicionalmente celebra a sua festa no mês de janeiro. Neste mês, inúmeros filhos da terra acorrem ao nosso município aumentando as rendas e aquecendo o comércio.
Durante esse mês, são realizadas quermesses, novenas e missas solenes Mas a festa litúrgica também tem seu lado profano, com a participação de parque de diversões e barracas.
Pelo calendário comum, celebramos a Virgem do Bom Conselho no dia 26 de abril. Movimentos houve no sentido de se transferir as festividades para o mês de abril, mas a tradição foi mais forte e ainda hoje se comemora no mês de janeiro.
No passado, as pessoas se acotovelavam na Matriz para assistir as celebrações acompanhadas pelo suave dedilhar da “Serafina”. Este pequeno harmônio era tocado por Dona Júlia Santiago, filha de Joaquim de Andrade Santiago e Ana de Souto Santiago, a qual iniciou várias pessoas na arte da música, entre elas dona Maria Duarte.
Enquanto que o coral da Escola Cantório formado por moças e rapazes, entoava seus cantos litúrgicos.
Após as missas, as pessoas se dirigiam a praça para assistir a encenação do pastoril onde dois grupos de moças disputavam entre si as preferências dos esperancenses. As jovens faziam caras e bocas, enquanto a população alfinetava suas contribuições nas respectivas bandeiras. O dinheiro era destinado aos trabalhos da Matriz.
A dramatização representa o nascimento do menino Jesus, através de canções que contam a aventura das pastoras em visita a manjedoura de Belém. É uma forma animada de se transmitir a história ao longo dos tempos.
Em 1942, foram as "baianas" e "camponesas" que se apresentaram em praça pública com esta finalidade. E no ano seguinte, os cordões “verde” e encarnado” fizeram belas evoluções na noite de ano, conquistando a simpatia da nossa sociedade.
Em Esperança, a encenação ganhou força na década de 40, sendo comandado por duas senhoras: Corina Cabugá e Dedita. Posteriormente os trabalhos foram coordenados por D. Hilda Batista e Vitória Régia Coêlho.
Havia muito murmurinho aqui e acolá. Os jovens aproveitavam a paquera no passeio que ia da igreja ao ginásio diocesano.
Quanto ao disse-me-disse, boa parte vinham dos jornais “noticiosos” que eram editados na cidade durante as festividades da padroeira. O mais antigo jornal que se tem notícia era chamado de "A Seta", cujos redatores foram Theotonio Rocha, Sebastião e Severino Diniz, com direção de Tancredo Carvalho. Sua circulação teve início em 1928.
Seguindo esta mesma linha humorística existia o “Segunda Frente”. Esse periódico era de responsabilidade do acadêmico Ulisses Coêlho Nobrega, com direção técnica Genésio Candido, e redação dos Srs. José Coêlho, Manoel Clementino e Manoel Camelo, sendo redator-chefe o contador L. Milanez. Dizem que a oficina funcionava no “Pavilhão Nada Além” (antigo XV de Novembro, onde hoje é o Calçadão). E circulava ao preço de CR$ 0,50 (cinqüenta cruzeiros), com motes, glosas, notícias e muito mais.
Foi também durante a festa da padroeira que surgiu o jornal “O Gilete”, cujo responsável era o professor José Coêlho da Nóbrega. Esse noticiário tinha por característica a irreverência e se autodenominava “noticioso”, realizava a crítica social da comunidade e chamando a atenção para o nosso cotidiano.
Zé Coêlho possuía uma memória invejável, contava histórias de aventuras e declamava poesias. Foi um dos intelectuais mais influentes de nossa cidade, destacando-se ainda por ser um grande animador de quadrilhas.
Este ano de 2012 se comemora a 152ª Festa da Padroeira de Esperança, que deve reunir cerca de 40 mil fiéis durante os 11 dias de celebrações religiosas.
A programação social acontecerá de 13 à 15 de janeiro, com o pavilhão da paróquia, onde deverão se apresentar Inaldo & Paulo Rubens, a banda Estação da Luiz e Tinho de Areia.
Noticia-se que técnicos da PBTUR devem visitar a cidade para avaliar o potencial turístico do evento para uma possível inclusão no calendário religioso da Paraíba.

Rau Ferreira

Fonte:
- CARVALHO, Tancredo de. Memórias de um brejeiro. Ed. S. N.: 1975.
- CENTENÁRIO, Revista da Paróquia de Esperança. Ed. Jacinto Barbosa. Esperança/PB: 2008.
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985;
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf: 1985.
- LIMA, Francisco Cláudio de. 50 Anos de Futebol e etc. Ed. Rivaisa: 1994;
- RAPHAEL, Rodolpho. Festa da Padroeira de Esperança poderá entrar no roteiro religioso da Paraíba. Disponível em: http://portalne.com.br/v1/?p=8730. Acesso: 04/01/2012.
- SEGUNDA FRENTE, Jornal. Ed. Ulisses Coêlho. Edição N. 3, Ano I. Esperança/PB: 1943.
- SOUZA, Inácio Gonçalves de. Esperança em verso e prosa. Esperança/PB: 2000;  

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