28 de dezembro de 2011
A Lenda Caricé (cordel)
A
lenda é Caricé
Esperança
é a região
Dos
Índios Banaboiés
Cujo
drama conhecerão.
Dentre
os moços
Do
serviço de demarcação
Havia
um que costumava cantar
Ao
som de um dolente violão
À
moda de endecha
Uma
triste canção...
O jovem
Morais Valcácer
Filho
de um donatário da região
Passava
as tardes a dedilhar
À
beira de um riachão.
Eram
os tempos das Sesmarias
Que
se fazia a demarcação
E
uma índia a passear
Ouvindo
o ritmo da paixão
Deixou-se
pelo jovem encantar.
Pertencia
a tribo Banaboié
Que
povoara a região
E a
pretexto de ir buscar
Água
para sua obrigação
O
mancebo ia visitar.
O
amor tem suas armadilhas
Que
penetram fundo o coração
Yara
aprendera a cantar
E
conheceu também a decepção.
Ao
fim dos trabalhos
Deixou
o jovem aquele riachão
Para
a sua terra regressar
Não
lhe explicando a razão.
A
índia insulada a chorar
Pedira
para a Lua-Yaci
Aliviar
a sua sofreguidão
Mas
nem o Sol-Guaraci
Deu-lhe
a devida atenção.
A
imagem do amado a recordar
Todos
os dias, no riachão,
Os
transeuntes a perguntar
A
dor e toda a sua solidão.
O
espectro do amor da juventude
Copiara
toda a sua feição
Um
indiozinho passa a reclamar
Em
sua rude concepção:
- Mamãe está a resguardar,
Até agora, os prazeres de antão.
Nas
matas da Meia-pataca
Essa
estória muitos ouviram
Uma
escrava forra a contar
Que
Yara um rebento fez brotar
Para
a sua satisfação.
Rau
Ferreira
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