Cadeiras Isoladas em Esperança

By | 14.6.11 Deixe seu comentário

Cadeiras Isoladas. Essa era a denominação que se dava no final do Século XVIII e início do Século IX para as classes avulsas de professores.
A Lei provincial nº 339 de 27 de novembro de 1869, criou uma cadeira de instrução primária “na povoação de Banabuyé do termo de Alagoa Nova”. Esta era mantida pelo município de Alagoa Nova, tendo a professora Rosa de Mattos Dourado ocupado uma cadeira mista em 1918 (Almanach da Parahyba: 1910, p. 195 e 210).
Idêntica informação encontra-se num documento do IHGP, noticiando a criação de uma cadeira isolada na povoação de Esperança (PINHEIROS: p. 102).
O número de alunos na época era relativamente pequeno ou quase insignificante, o que se explica pelo isolamento das famílias; separadas por duas, três ou mais léguas de distância, entregues aos labores da criação extensiva e à agricultura rudimentar, no regime patriarcal de pais pouco habituados ao ensino.
Vale ressaltar que o professor Juviniano Sobreira e sua esposa mantiveram por muito tempo um externato em Esperança, sendo eles os progenitores do Coronel Elísio Sobreira, patrono da PMPB, onde estudaram, entre outros, o escritor Epaminondas Câmara e o poeta Silvino Olavo.
Em 1926, o ensino local ainda era representado por uma única cadeira isolada, freqüentada por 30 alunos (PINHEIRO, p. 135).
No ano seguinte era inaugurado em Esperança o Instituto Pedagógico, sob a direção da Professor Correia de Araújo.
O município havia recém conquistado sua emancipação política e destinava, agora, parte de suas rendas à educação pública. Eis o quadro dos percentuais da Receita Geral: 1928: 3,49% - 1929: 7,28% - 1930: 5,08%. Observa-se que o investimento público evoluía a cada ano.
Em 1932 era inaugurado o Grupo Escolar “Irineu Joffily”, que reuniu uma série de pequenas escolas e cadeiras municipais num único edifício (Almanach da Paraíba: 1933). Este apareceu no Censo de 1949.
A partir da década de 40 surgiram diversos grupos e escolas públicas no município, com acentuado número de alunos. Nesse aspecto a igreja local assumiu um papel importante através das chamadas “Escolas Paroquiais”, cuja direção foi confiada a algumas irmãs religiosas.

Rau Ferreira

Fonte:
-         PINHEIROS, Antonio Carlos Ferreira. Da Era das Cadeiras Isoladas à Era dos Grupos Escolares na Paraíba. Ed. Autores Associados. Campinas/SP: 2002, p. 132, 53, 135, 183
-         LEAL, Walfredo. Mensagem à Assembleia Legislativa do Estado da Parahyba: 1907;
-         SUASSUNA, João. Mensagem à Assembleia Legislativa do Estado da Parahyba: 1926;
-         ESPERNANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf: 1985, p. 43/44;
-         PINHEIRO, Carlos Antonio Ferreira. CURY, Cláudia Engler (Org). Leis e Regulamentos da Instrução Primária da Paraíba no Período Imperial. INEP, Brasília-DF:2004, p. 151;
- NORTE, Parahyba do. Collecção das Leis Provinciaes de 1869. Typografia dos herdeiros de J.R. da Costa, Rua Direita nº 20: 1869;
- PARAHYBA, Almanach do Estado da, Vol. ?: 1918, p. 210;
- PARAHYBA, Almanach do Estado da, Vol. 8: 1910, p. 195;
- PARAHYBA, Almanach do Estado da, Vol. 16: 1933, p. 183 e 187;
- A UNIÃO, Jornal. Órgão do Estado da Paraíba. Edição de 05/04/1927.

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