SOL: Critica literária

By | 6.5.10 Deixe seu comentário
A “Revista de Língua Portuguesa”, em 1928, publicou uma crítica literária a “Sombra Iluminada”. Este, que foi o segundo livro poético de Silvino Olavo, havia sido lançado recentemente pelo autor e recebia suas primeiras impressões.
Ao analisar a obra, cita três poemas de seu livro, além de salteadas estrofes: A Legenda do Último Cysne, que considera “uma poesia typica do modo do autor”; Deslumbramento, e Contrição. E considera o seu autor “igualmente um melancólico”.
Naquele tempo, porém, ainda não se afigurava a silueta do Simbolismo, corrente literária que foi dominada por Silvino e cuja representação na Paraíba se fez mais forte. Talvez por essa razão o crítico não tenha entendido tão bem o alcance dos seus versos, embora considere que “Todo o seu livro se faz de meios tons de uma suavidade encantadora.”
Mas foi citando “A Minha Sombra” que o julgador apresentou o senso mais apurado ao seu estilo, que “Não é exuberante nem para a alegria, que não manifesta em nenhuma das suas composições, nem para a tristeza, que nunca chega ao desespero e à imprecação”. Eis a estrofe para que o leitor lhe dê ou não razão:
Sou apenas o eco de uma queixa
Imensa e vã que se perdeu no espaço
E, hoje, cantando esta suave endeixa,
Quase inaudível entre os homens passo.
A sua “Sombra Iluminada” é, na sua opinião, um livro “sadio”, ao que o analista prefere “Para abandonar um pouco de todos esses doentes”.
Passou-lhe desapercebido entretanto, que o poeta esperancense se deixara revelar na “Legenda do Último Cysne”:

Meu canto é o canto da Renúncia
- horto aromático de mágoa –
requer ternura na pronúncia,
tem sugestões de lua n’água...

Ao citar “a pequena poesia Contrição, feita em dísticos”, que transcrevo a seguir:

Bem sei quanto o pecado em min, Senhor,
Fez-se excessivamente pecador!

A carne é triste! E, quando a carne pede,
Nossas alma humana quase sempre cede...

Deste-me agora esta filosofia
Que, da fusão da Dor e da Alegria,

Sabe extrair, sem Dúvida e Ansiedade,
A água divina da Serenidade.

Fonte do Mal, em que bebi venenos,
A Vida, hoje, me dá fluídos serenos.

Para que eu traga em versos e canções,
Consolo a alma dos tristes e dos bons!

Louvado seja nome do Senhor!
Finaliza considerando que “Em todo caso, Silvino Olavo, é authenticamente um bom poeta”.

Rau Ferreira

Fonte:
- Revista de Língua Portuguesa, Volume 9 - Edição 51, Ed. União Editora: 1928, p. 122/126.
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