31 de ago de 2009

Silvino Olavo - O Poeta dos Cysnes.


Nada mais justo do que homenagear o inspirador deste blog, o Dr. Silvino Olavo Cândido Martins da Costa, com a sua biografia.
O poeta Silvino Olavo nasceu em 27 de Julho de 1891, na Fazenda Lagoa do Açude; filho do Coronel Manoel Joaquim Cândido e de Josefa Martins Costa.
No ano de 1915 sua família se muda para Esperança, e tem suas primeiras lições com Joviniano e Maria Augusta Sobreira.
Em João Pessoa dá continuidade a seus estudos no Colégio Pio X, sendo agraciado com a medalha de Honra ao Mérito por sua dedicada vida estudantil em 1916.
Em 1921, parte para o Rio de Janeiro e inicia o curso de Direito. Na ocasião, trabalhou nos Correios e Telégrafos e atuou como revisor de jornal.
Diplomado em 1924, orador oficial da turma, publica “Cysnes” e “Estética do Direito”.
Retornando à Paraíba em 1925, inicia um levante, juntamente com outros esprancenses ilustres, em prol da emancipação municipal, onde proclama o seu famoso discurso: “Esperança – Lírio Verde da Borborema”.
Em 1926 colabora com diversas publicações, entre elas o jornal “A União”, órgão oficial do Governo do Estado da Paraíba. Em seu artigo inaugural, publicado no suplemento “Arte e Literatura”, comenta o livro do escritor pernambucano Oswaldo Santiago, “Gritos do silêncio”.
Em 1927 edita o segundo livro poético “Sombra Iluminada”, e passa a trabalhar como Fiscal de Consumo na Cidade de Vitória-ES.
No dia 22 de outubro de 1928, de volta ao seu Estado natal, é nomeado Chefe de Gabinete do Governo João Pessoa.
Em 1929, contrae núpcias com a Sra. Carmélia Veloso Borges, nascendo, desta união, a sua única filha Marisa Veloso Costa, que faleceu aos 12 anos de idade no ano de 1950.
Com a morte de João Pessoa em 1930, passou a apresentar um quadro esquizofrênico. Foi internado diversas vezes na Colônia Juliano Moreira, até que o seu cunhado Valdemar Cavalcanti, o recebeu para tratamento domiciliar em Esperança.
Durante seus intervalos lúcidos, produziu diversos poemas e eternizou a sua musa “Badiva”.
Faleceu em 26 de Outubro de 1969, vítima de complicações renais, no Hospital Dr. João Ribeiro, em Campina Grande.
Silvino Olavo é o patrono da Cadeira 35 da Academia de Letras de Campina Grande, com assento na de número 14 da Academia Paraibana de Poesia.
Este grande poeta e incentivador cultural de nossa terra, deixou-nos como legado as seguintes obras: Cisnes (1924); Estética do Direito (1924); Esperança - Lírio Verde da Borborema – Discurso (1925); Sombra Iluminada (1927); Cordialidade - Estudo Literário - 1ª Série - N. York, 1927; Badiva, obra póstuma (1997).
Além disso, chefiou a redação de “O Jornal” e escreveu para a revistas “Nova Era”, e o periódico “A Província”, do Rio de Janeiro.

Rau Ferreira

Fonte:
- Pequena Biografia do Poeta Silvino Olavo, por Roberto Cardoso - Jornalista. Cisnes/ Sombra Iluminada – 2a Edição, 1985 – p. 3/5;
- A vida dramática de Silvino Olavo, autoria de João de Deus Maurício, João Pessoa/PB, Unigraf, 1992;
- Badiva: poesias inéditas de Silvino Olavo, Marinaldo Francisco de Oliveira (Org.), Espeança/PB, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1997 - p. 26/28.
- Jornal “A União”, suplemento “Arte e Literatura”, Estado da Paraíba, edição de 21/02/1926, artigo de capa.

A Maternidade São Francisco de Assis.

No dia 19 de junho de 1959, por iniciativa do Pe. Manuel Palmeira da Rocha, era assentada a pedra fundamental da "Casa de Saúde e Maternidade São Francisco de Assis", prestigiada pelo então Governador do Estado Pedro Moreno Gondim e o Cônego José Coutinho, além de diversas autoridades. Antes a cidade contava apenas com o Posto de Saúde, administrado pela Fundação SESP.
Em 28 de setembro de 1960, pelas mãos do Deputado Francisco Souto Neto, foram entregues à Paróquia de Esperança as escrituras e uma substancial quantia em dinheiro[1], que acudiram as primeiras compras de material. No dia seguinte, iniciava-se efetivamente os trabalhos de construção da maternidade.
Com a chegada das freiras holandesas, em 16 de maio de 1961, os serviços se intensificaram, já que estas religiosas ficariam responsáveis pelo atendimento ao público naquela unidade de saúde.
O canteiro de obras era imenso, além da maternidade, estavam sendo construídos o ambulatório médico, a capela Santo Antonio e o convento das irmãs.
A inauguração se deu em 17 de janeiro de 1965, chegando a abrigar nos tempos áureos mais de 20 leitos hospitalares, sala de parto e pré-parto, cirurgia e ambulatório. O próprio Padre Palmeira registrou no Livro Tombo da Paróquia o evento:
"Realiza-se hoje a inauguração oficial da Maternidade São Francisco de Assis. Estiveram presentes além do Exmo. Sr. Governador do estado e seu secretariado, grande número de religiosos, frades e freiras, como também uma multidão bastante numerosa, não bastante o tempo chuvoso. Houve missa solene cantada pelo coral dos franciscanos, seguindo-se a inauguração propriamente e o banquete no Centro Paroquial. O Exmo. Sr. Bispo Diocesano fez-se representar pelo pároco que também foi-lhe portador de uma mensagem escrita"
Recentemente, com a municipalização da saúde, passou a enfrentar uma série de dificuldades e atualmente conta com a ajuda de sócios para a manutenção de seus serviços.

Rau Ferreira

[1] 100 mil cruzeiros na época.

Fonte:
- Revista Centenário da Paróquia de Esperança, Ed. Jacinto Barbosa, 30 de maio de 2008.

30 de ago de 2009

De Banabuyu à Esperança.

Esperança foi habitada em eras primitivas pelos Índios Cariris, nas proximidades do Tanque do Araçá.
Sua colonização teve início com a chegada do português Marinheiro Barbosa, que se instalou em torno daquele reservatório.
Posteriormente fixaram residência os irmãos portugueses Antônio, Laureano e Francisco Diniz, os quais construíram três casas no local onde hoje se verifica a Avenida Manoel Rodrigues de Oliveira.
Não se sabe ao certo a origem da sua denominação. Mas Esperança outrora fora chamada de Banabuié1, Boa Esperança (1872) e Esperança (1908), e pertenceu ao município de Alagoa Nova.
Segundo L. F. R. Clerot, citado por João de Deus Maurício, em seu livro intitulado “A Vida Dramática de Silvino Olavo”, banauié é um “nome de origem indígena, PANA-BEBUI – borboletas fervilhando, dados aos lugares arenosos, e as borboletas ali acodem, para beber água”.
Narra a história que o nome Banabuié, “pasta verde”, numa melhor tradução do tupi-guarani, teria sido mudado para o topônimo de Esperança por Frei Herculano, devido ao simbolismo que esta representa. Banabuyu, que na língua Tupi significa Brejo ou Pantanal das Borboletas.
Uma outra versão porém é atribuída ao Padre Ibiapina1. Conta-se que este clérigo teria nomeado algumas cidades da região, segundo as três virtudes teologais: Fé (Santa Fé, atual município de Arara), Caridade (Soledade ou Pocinhos, não se sabe ao certo), e, para Banabuié, o de Esperança.
Esta narrativa guarda um certo sentido devido a grande influência exercida por este vigário em nossa região. Ele mesmo teria fundado em 1862 o cemitério local, motivado pelo surto de Cólera Morbidus.
O fato é que até 1860 não existiam cemitérios na região. Os ricos eram sepultados nas Igrejas, enquanto os pobres eram enterrados nos campos. Segundo documentos históricos, Pe. Ibiapina teria resolvido o problema construindo os cemitérios de Arara, Pocinhos e Alagoa Nova; e se supõe que ele teria edificado também o de Esperança.
Já o ano de 1862 marca a fundação da Capela de Nossa Senhora do Bom Conselho, onde hoje é a Igreja matriz, por orientação do Frei Venâncio, primeiro missionário a chegar nestas terras e a celebrar missa. Segundo a tradição, a devoção à Mãe do Bom Conselho no Brasil teria se iniciado em 1785, pelas mãos do padre jesuíta José de Campos Lara.
O historiador José Henriques da Rocha, ao escrever sobre o tema, fez a seguinte menção:
Para nós esperancenses foi uma dádiva de Deus termos recebido das mãos de nossos colonizadores no Século XVIII a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho para ser a nossa padroeira e protetora de nossa terra e da nossa paróquia, sendo consagrado o dia 26 de abril às suas festividades religiosas”.
Além do nosso pequeno torrão, a cidade de Princesa Izabel, no alto sertão paraibano, segue igualmente a devoção a Virgem do Bom Conselho.
Em 20 de Maio de 1908, criou-se a freguesia de Esperança, no comando do Padre Francisco Gonçalves de Almeida, seu primeiro pároco, cujos sucessores foram: Pe. José Vital Ribeiro (1913-1922); Pe. José Borges de Carvalho (1922-1929); Pe. Álvaro Gabínio (1929-1932); Pe. Francisco Severiano (1932-1936) e João Honorato (1936-1951).
Fazendo parte da história da nossa paróquia temos ainda o saudoso Pe. Manuel Palmeira da Rocha, Frei Antonio, Pe. Ribamar, e os padres Francisco e Bernardo, que dirigiram conjuntamente os trabalhos paroquiais.
Mais recentemente, tomaram assento na cadeira de pastor da igreja católica de Esperança os Padres: José de Assis Pereira (1996-2000) e Damião Ferreria da Silva, este último falecido a 04 de outubro de 2004, na cidade de São Paulo, em razão de complicações hepáticas.
Atualmente, assumiu a administração paroquial o Pe. José Alexandre Moreira de Macêdo.
O Frei Damião de Bozano celebrou missa campal, no pátio da Matriz, quando de sua passagem por esta cidade, nos idos de 1978.
Em 1885 foi instalada a agência dos Correios e Telégrafos de Esperança, cujo agente era Antônio Albuquerque Lima.
Mas o patrimônio histórico mais conservado é a Vila Santa Maria, que pertenceu a família Benevenuto Maceió antes de 1900. Hoje, pertencente aos familiares do historiador João de Deus Melo ainda guarda algumas relíquias: um relógio e um cofre antigo, um santuário de madeira com algumas imagens, uma máquina de datilografia alemã e o livro “Os Jesuítas perante a história”, editado em 1860.
A residência principal da propriedade foi utilizada como “Casa Grande” da Fazenda; nela ainda encontramos grutas de pedras, onde se supõe terem morado índios.
Em maio de 1925 iniciou-se um levante em prol da emancipação política do município. Esse movimento ganhou força no inflamado discurso de Silvino Olavo, que declamava: “Esperança – Lírio Verde da Borborema”.
A idéia foi ganhando novos adeptos, entre eles, o Coronel Elísio Sobreira, Chefe de Polícia do Estado, e o Deputado Antônio Guedes, que apresentou o Projeto de Lei nº 13, que criava a cidade de Esperança.
Após terceira discussão em plenário, o projeto foi votado e aprovado e, no dia 1o de Dezembro de 1925, era publicada no jornal A União, a Lei nº 624, dando origem ao Município de Esperança, que se instalou no dia 31 daquele mês e ano.
Assumiram o governo mirim Manuel Rodrigues de Oliveira na condição de Prefeito, e Teotônio Tertuliano da Costa, na posição de Vice-Prefeito, prestando compromisso no Paço Municipal junto ao Dr. João Marinho da Silva, Juiz do Termo.
A primeira Câmara Municipal era constituída pelos seguintes vereadores: Manoel Pessoa de Melo Leitão, José da Cunha Neto, José de Araújo Souto, Francisco Rodrigues da Silva, Anísio Evangelista dos Santos, José Carolino Delgado e Cassimiro Jesuíno de Lima. Muito embora, oficialmente, só se tenha constituído em 31 de outubro de 1947.
Após as eleições de 12 de outubro de 1947, tomaram posse: Francisco Bezerra da Silva (Presidente), Manoel Rodrigues de Oliveira (Vice-presidente), sendo Severino de Alcântara Torres e Manuel Luis Pereira 1º e 2º Secretários, respectivamente. O Legislativo-mirim daquele ano também foi composto pelos seguintes Vereadores: Eustáquio Luiz de Aquino, Severino Felix da Costa e José Ferino dos Santos.
A primeira sessão ordinária dessa gestão ocorreu em 05 de dezembro de 1947, no pavimento superior do edifício nº 02, da Rua Senador Epitácio Pessoa (Rua do Boi), porque o Sr.Prefeito Municipal não cedeu o prédio da Biblioteca Pública para a sede da Câmara. Consta em ata, que o chefe do executivo municipal escolheu os fundos da Prefeitura para o funcionamento da Câmara, o que foi considerado inconveniente pelos vereadores.
Segundo o site virgulino.com, foi na administração do prefeito Manoel Rodrigues que se instalou um motor a óleo para produzir energia elétrica, durante o governo de João Suassuna. Na gestão de Sebastião Vital Duarte (1940-1944), veio para Esperança a CODEBRO, que ficou responsável pelo abastecimento elétrico local, embora precário. Enquanto que o sistema de Paulo Afonso-BA somente foi inaugurado em 1958, cuja solenidade pode ser vista da sacada da farmácia de Santos Gondim4, passando a iluminação pública a ser mais regular e abranger outros pontos da cidade.
Em sessão extraordinária, realizada no dia 12 de Junho de 1964, no comando daquela Casa Legislativa, o vereador Dogival Costa apresentou e aprovou uma moção de aplausos ao Sr. Prefeito de Esperança, Luiz Martins de Oliveira, “pela benfeitoria a esta cidade e ao povo em geral, por motivo de iluminação de luz à base de mercúrio”, constando da ata dos trabalhos daquela casa, e formalizado no Ofício nº 140, de mesma data.
“O segundo Juizado de Paz da Povoação de Esperança foi criado em 1896, e pertencia ao Juizado de Alagoa Nova, da Comarca de Areia, tendo como primeiro Juiz Thomaz Rodrigues de Oliveira, e Escrivão, o Sr. José Pereira Brandão, conhecido por “Santos Cacheiro”, que exerceu o cargo até 1913” (Livro do Município de Esperança, Ed. UNIGRAF, 1985, pg. 41).
Somente em 31 de Dezembro de 1925 é que foi criado o Termo Judiciário de Esperança, agregado à Comarca de Areia, sendo João Marinho da Silva o primeiro Juiz Municipal, e Teotônio Cerqueira Rocha, Adjunto de Promotor.
Na suplência do Juízo Municipal, em 20 de Abril de 1926, foram empossados: Francisco Protássio de Oliveira, 2o Suplente, e Francisco Gesuíno de Lima, 3o Suplente. E aos 13 dias do mês de Março, tomaram posse nos cargos de Distribuidor e Partidor, respectivamente, José Irineu Diniz, vulgo “Zezé Cambeba”, e Antônio Francisco Diniz, o “Totonho Cambeba”.
No cargo de Oficial de Justiça, assumiu o Sr. João Gonçalves de Lima.
Inácio Rodrigues de Oliveira prestou compromisso na função de Delegado de Polícia, em 20 de Janeiro de 1926. Nesse mesmo ano foi inaugurada a Cadeia Pública local.
Eis, em poucas linhas um pouco da nossa história. O resto fica pra depois.

Rau Ferreira

Fonte:
- Livro do Município de Esperança (Projeto Gincana Cultural/83 – “Descubra a Paraíba” – Coleção Livros dos Municípios 006/171) - p. 33/37;
- Site Virgulino.com (http://www.virgulino.com/);
- Comentários sobre Nossa Senhora do Bom Conselho, de autoria do historiador José Henriques da Rocha, 2008;
- Esperança, wikipédia (http//pt.wikipedia.org);
- Publicações Diversas.
 
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